quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Escritora alemã Herta Müller vence o Nobel de Literatura 2009


A escritora Herta Müller, 56, é a vencedora do prêmio Nobel de Literatura em 2009. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (8), na sede da Academia Sueca, em Estocolmo. Müller é a 12ª mulher a vencer o Nobel de Literatura, que premia autores desde 1901.

"Estou muito surpresa e ainda não acredito", disse a escritora em comunicado divulgado por sua agente na Alemanha. "Não posso dizer mais nada neste momento."

Herta Müller tem apenas um livro publicado no Brasil, "O Compromisso", lançado em 2004 pela editora Globo com tradução de Lya Luft.

O livro conta a história de uma ex-operária da indústria têxtil que, com certa regularidade, é chamada para prestar depoimento ao major Aldu, da polícia secreta da Romênia, durante o regime totalitário de Nicolae Ceausescu (1918-1989). O ditador governou o país entre 1974 e 1989. Durante o anúncio do Nobel, a escritora foi definida como "alguém que, com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, retrata a paisagem dos desfavorecidos".

A escritora nasceu em Nitzkydorf, Romênia, em 1953, dentro de uma família da minoria alemã nesse país. Sua estreia na literatura em 1982, com uma reunião de contos intitulada "Niederungen", que foi imediatamente censurada pelo governo comunista na época.

Em 1984, uma versão de seu livro de estreia foi publicada na Alemanha e o trabalho, que descreve a vida em um pequeno vilarejo de língua alemã na Romênia, virou febre entre os leitores. Em seguida, a autora lançou "Oppresive Tango" na Romênia. Por conta das críticas ao governo do país, Müller e seu marido emigraram para a Alemanha em 1987.

Pelo título de Nobel de Literatura, a escritora receberá a quantia de US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões).

As indicações são feitas por professores, escritores já laureados e membros das academias de letras do mundo inteiro. A tradição é manter o segredo sobre os votos, mas neste ano a professora dinamarquesa de literatura Anne-Marie Mai revelou ter indicado o músico Bob Dylan.

PERSEGUIDA PELA SECURITATE

Mueller, cuja mãe passou cinco anos num campo soviético de trabalhos forçados e que foi ela própria perseguida pela polícia secreta romena, a Securitate, depois de negar-se a servir de informante, fez sua estreia literária em 1982 com uma coletânea de contos.

A obra em questão, "Niederungen", foi censurada na Romênia. Nela e em seu livro "Drueckender Tango" (Tango Opressivo), publicado dois anos depois, Mueller escreveu sobre a corrupção e repressão no vilarejo de Nitzkydorf, de idioma alemão, onde ela nasceu.

Suas obras sensíveis e repletas de insights refletem a vida sob o governo de Ceausescu, deposto e executado em 1989. Mueller deixou a Romênia em 1987 com seu marido Richard Wagner e hoje vive e trabalha em Berlim.

Os ganhadores do Nobel de Literatura nos últimos anos têm sido sobretudo europeus, e algumas pessoas vêm criticando a Academia por ter uma visão mundial demasiado estreita. Mueller é a 12a mulher a receber o Nobel de Literatura.

Declarações feitas no ano passado pelo então secretário permanente Horace Engdahl, que disse que os norte-americanos não participavam do "grande diálogo" da literatura, tinham motivado especulações de que este ano o comitê pudesse premiar um escritor norte-americano.

Corretores de apostas viam o romancista israelense Amos Oz como favorito para receber o prêmio este ano, e os americanos Joyce Carol Oates e Philip Roth eram vistos como alguns de seus principais rivais.

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