quarta-feira, 3 de março de 2010

[Especial Filosofia] Sun Tzu, o filósofo da guerra


Sun Tzu falava de guerra como poucos. Contemporâneo de Confúcio, viveu numa época em que a filosofia era munição poderosa para a arte das estratégias e táticas militares. Na China de 2,5 mil anos atrás, conflitos armados funcionavam como rituais genuínos e envolviam convenções impensáveis nos dias de hoje. Não se abatiam homens velhos durante a luta, por exemplo. Um governante de bom-senso não massacrava cidades inteiras e as ordens de um comandante, em larga medida, eram baseadas em presságios de adivinhos que ficavam no próprio campo de batalha. En­tre magos e filósofos, muitos reis ficavam com a segunda opção e colocavam pensadores à frente de seus exércitos. Sun Tzu, ou Mestre Sun, era o mais famoso deles.

Durante duas décadas, entre os sécu­los 5o e 6o a.C., Sun Tzu subjugou seus inimigos com os ensinamentos que transmitia a seus soldados. Naquele tempo, as batalhas ainda eram algo primitivas, mas o jeito de fazer guerra mudava rapidamente. A China rendia-se ao crescente poderio militar dos senhores feudais e atravessava a chamada Era do Estado de Guerra. Os equipamentos bélicos evoluíam velozmente e as primeiras táticas militares eram formuladas pelos grandes estrategistas da época, os filósofos.

Sun Tzu não era apenas um motivador. Falava com propriedade sobre o posicionamento de tropas, a movimentação de soldados, técnicas de emboscada e até mudanças inesperadas de clima. Parte desse conhecimento ele sistematizou no livro A Arte da Guerra, um tratado filosófico-militar de treze capítulos, que aborda diversos aspectos ligados à guerra.

Com frases e pensamentos que lembram os atuais livros de auto-ajuda, o livro ficou famoso no mundo moderno pela sua aplicação em várias áreas. A lista de supostos leitores célebres é extensa. Vai de Napoleão Bonaparte a Luís Felipe Scolari. Dizem que Hitler o leu. Lula e Mao Tse-tung, também. É o livro de cabeceira de altos executivos, que adoram citar suas passagens no mundo dos negócios.

Guerra de teorias

A documentação sobre a vida do general é escassa e as opiniões de historiadores variam bastante. Alguns negam a própria existência de Sun Tzu; outros a admitem, mas acreditam que ele não escreveu A Arte da Guerra sozinho. A idéia mais difundida é que ele nasceu por volta de 540 a.C. com o nome de Sun Wu. Era filho da aristocracia militar chinesa e aprendeu a desenvolver seu olhar peculiar sobre as estratégias de guerra com o avô. Em 517 a.C., rumou para o sul e fixou-se em Wu, onde se tornou súdito do rei He Lu.

A passagem mais conhecida da vida de Sun Tzu data desse período. Consta que He Lu chamou-o após ler A Arte da Guerra e pediu que ele fizesse uma pequena demonstração de seu treinamento. Sun Tzu chamou 180 concubinas do rei e dividiu-as em duas alas. Nas duas vezes que repetiu uma simples ordem para as mulheres, elas caíram na risada. E não tiveram uma terceira chance. Sun Tzu mandou decapitar as duas concubinas preferidas do rei, que, sem sucesso, ainda tentou evitar a morte das amantes.

Alguns relatos dão conta de que Sun Tzu morreu em 496 a.C., mas nada se sabe sobre sua morte. Há quem aceite que ele lutou ao lado do sucessor de He Lu, até a queda do reino de Wu. De qualquer forma, sua obra manteve-se viva por mais de 2 mil anos e até hoje guarda as palavras de um homem que falava de guerra como ninguém. Pelo menos na teoria.

A arte de enganar o inimigo

Do livro de Sun Tzu: “Quando capaz, finja ser incapaz; quando pronto, finja desespero; quando perto, finja estar longe; quando longe, fa­çam acreditar que está próximo”. Esse ensinamento foi levado à risca pelo militar chinês Sun Pin em 351 a.C. Para alguns estudiosos, ele era neto de Sun Tzu; para outros, apenas um seguidor; para um terceiro grupo, eram uma única pessoa. De qualquer forma, o pensamento do general mostrou-se extremamente eficaz em um dos conflitos comandados por Sun Pin. Ele sabia que suas tropas tinham fama de covardes, e por isso seu adversário, P’ang Chuan, desprezava-os. Certa noite, ele ordenou que seus homens acendessem 100 mil fogueiras. Na seguinte, pediu para acenderem 50 mil e, na terceira noite, 20 mil. P’ang Chuan organizou en­­tão um ataque pesa­do, mas Sun Pin armou uma emboscada e encurralou as tropas de P’ang Chuan. O inimigo foi morto e seus homens, capturados.

Sábias palavras

• “Quando cercar o inimigo, deixe uma saída para ele. Caso contrário, ele lutará até a morte”

• “Um grande general não é arrastado ao combate. Ao contrário, sabe impô-lo ao inimigo”

• “Comandar muitos é o mesmo que comandar poucos. Tudo é uma questão de organização”

• “Na arte da guerra, a melhor op­ção é tomar o país inimigo intacto. Esmagá-lo é apenas a segunda melhor opção”

• “A invencibilidade repousa na defesa. A vulnerabilidade revela-se no ataque”

• “A vantagem estratégica desenvolvida por bons guerreiros é como o movimento de uma pedra redonda, rolando por uma montanha de 300 metros de altura. A força necessária é insignificante; o resultado, espetacular”.

Retirei Daqui

3 comentários:

  1. Interessante mesmo, como os ensinamentos continuam tão atuais.

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  2. Eu já lí, mas não serve para o futuro, é um documento passado, mas vale a pena ler.

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  3. Faltou a melhor (na minha opinião)

    "Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas"

    Drakcloud

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