segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

9 escritores que previram o futuro

Júlio Verne (1828-1905)


Julio Verne foi um dos pioneiros do futurismo e previu a existência de viagens espaciais, submarinos, helicópteros e satélites. Em 1869, o escritor francês imaginou um submarino que utilizava um combustível eficiente e praticamente inesgotável. A ideia se concretizou em 1955, com o primeiro submarino de verdade movido por propulsão nuclear. Ele recebeu o nome de Nautilus em homenagem ao veículo descrito por Verne.

A descrição de uma viagem à Lua também foi quase profética: o livro Da Terra à Lua (1865) é praticamente um rascunho do que ocorreu de fato com o projeto americano Apollo, em 1969. A duração da jornada (97 horas na ficção e 103, na realidade), o número de tripulantes (três), os locais de lançamento (a Flórida) e de pouso (o Mar da Tranqüilidade, na Lua), tudo parece ter sido previsto um século antes. A cápsula de Verne, em forma de bala, media 4,8m de altura e 2,7m de diâmetro. A Apollo media 3,7m de altura e 3,9m de diâmetro. Até mesmo o regresso à Terra, com o pouso no Pacífico e o resgate por um navio, é igual.

HG Wells ( 1866 – 1946)




A lista de invenções e ideias de Wells que se tornaram realidade é impressionante. Em Guerra dos Mundos (1898), ele descreve o laser e, em When the sleeper wakes (1899), fala de portas automáticas. Wells não descreveu especificamente o celular, mas falou de um futuro em que as pessoas usariam meios de comunicação sem fios e correios de voz em alguns de seus romances. Suas “previsões” sobre a guerra também foram impressionantes. Tanques, bombardeamentos aéreos e mesmo bombas nucleares já estavam descritos em seus livros.

Arthur C. Clarke (1917 – 2008)





 Ele próprio confessa que teria ficado rico se tivesse patenteado a idéia dos satélites em órbita fixa ao redor da Terra. A sugestão foi apresentada em um artigo de 1945, como um meio de melhorar as telecomunicações. O conto A Sentinela (1951) deu origem a 2001: Uma Odisséia no Espaço, filme de 1968 de Stanley Kubrick sobre o supercomputador HAL 9000, que comanda uma espaçonave, adquire vontade própria e começa a eliminar os tripulantes. O filme prevê os computadores capazes de derrotar o homem no xadrez (coisa que aconteceu em 1997, quando um supercomputador da IBM bateu o campeão de xadrez Gari Kasparov em um tira-teima) e mostra uma cidade orbital quase igual à Estação Espacial Internacional.

Até o iPad já tinha sido “previsto” por Clarke. No livro 2001, escrito em 1968, baseado no script que ele escreveu para o filme de Stanley Kubrick, o protagonista utiliza algo chamado Newspad, um computador usado basicamente para exibir conteúdo como jornais, atualizados automaticamente, durante uma viagem.

Cyrano de Bergerac (1619 – 1655)


O escritor e duelista francês existiu de verdade e, sim, tinha um enorme nariz (mas isso não é relevante). Em pleno século 17, ele descreveu em uma de suas obras algo que se parecia com um gravador: uma caixa que permitia “ler com as orelhas”. E vai mais longe: em Viagem à lua (1650), ele fala de uma nave dividida em várias partes que se queimavam sucessivamente, até situar a cápsula tripulada em órbita. Parece familiar? A ideia foi retomada por Julio Verne em Da Terra à Lua, de 1865.

Aldous Huxley (1894-1963)

 

A obra mais famosa do escritor inglês, Admirável Mundo Novo (1932), descreve um cenário sombrio em que a casta dirigente recorre à lavagem cerebral e à manipulação genética para manter a população idiota. O livro prevê a liberação sexual dos anos 60, as drogas químicas, a clonagem e até a realidade virtual, que ali aparece com o nome de cinema-sensível. Fora todas as outras associações possíveis entre o “mundo novo” de Huxley e o nosso.

Geoffrey Hoyle (1942)

O escritor britânico nascido em 1942 escreveu o livro 2010: Living in the Future em 1972 e antecipou boa parte da tecnologia do século 21. Webcams, compras pela internet, ensino à distância, bibliotecas digitais, estava tudo lá. Olha a descrição de uma sala com acervo digital em uma biblioteca do futuro: “Os livros, filmes e jornais estão todos armazenados no computador da biblioteca. Primeiro você acessa o índice de biblioteca. Este arquivo contém todos os livros que já foram escritos. Não importa se eles foram primeiro escritos em chinês ou francês. Eles vão estar aqui, traduzidos para o Inglês. Há também um índice de filmes e jornais.”
Na descrição de Hoyle, você pode até virar as páginas usando botões e acessar qualquer livro em sua própria casa. Ele previu até o déficit de atenção das pessoas do futuro: “Enquanto você está na biblioteca, você pode querer ver alguns filmes de viagem para lhe ajudar a decidir para onde irá nas próximas férias. (…) Até mesmo se você estiver sozinho em sua casa, você pode conversar com seus amigos durante a aula. É so digitar o número de um amigo e o seu rosto aparece no canto da tela”.

George Orwell (1903 – 1950)


A expressão Big Brother surgiu no romance 1984 (1948), em que o autor britânico antevê as paranoias que se tornariam realidade com as câmeras de vigilância espalhadas hoje por todo lado. O adjetivo “orwelliano” cabe a todo regime totalitário que altera fatos históricos a seu favor e só acredita na paz por meio da guerra. Fora que o autor inspirou um dos reality shows mais famosos do mundo.

Ray Bradbury (1920)

No livro Fahrenheit 451 (de 1953), Bradbury imagina os EUA dos anos 90 como uma sociedade hedonista e anti-intelectual, onde é proibido ler livros. Nesse mundo, todo trabalhador sonha em comprar sua “televisão de parede”, uma sala com projeções 3D e um sistema de som multicanal, onde as pessoas se sentem imersas na transmissão de espetáculos musicais ou competições que testam seu conhecimento sobre cultura popular, e onde os atores de suas séries preferidas são chamados de família. Detalhe: quando Fahrenheit foi lançado, em 1953, a televisão colorida havia sido lançada nos EUA fazia apenas 3 anos e ainda era extremamente cara. Tecnologias como o laserdisc e sistemas de som multicanal, que iriam tornar possível os home theaters, só surgiram na década de 1980. E o melhor: Bradbury ainda está bem vivo e já viu suas previsões acontecerem.

Johann Wolfgang von Goethe (1749 – 1832)


Além da literatura, Goethe se interessava muito por ciência e deixou trabalhos importantes em campos como botânica, física, química e até meteorologia. E ele previu um retrato acertado sobre o mundo atual também. Em Fausto, Goethe antecipou a questão ambiental que o homem enfrenta hoje, destruindo a natureza em prol de um suposto desenvolvimento da civilização. No romance  Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister, ele cunhou o termo ‘velocífero’, mistura das palavras “velocidade” e “Lúcifer”, para se referir a um mundo frenético de velocidade demoníaca.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Partido Comunista chileno pede exumação do corpo de Neruda


O Partido Comunista do Chile solicitou a exumação do corpo do poeta Pablo Neruda, morto em 1973. O pedido visa esclarecer as circunstâncias da morte do Nobel de Literatura. Morto 12 dias após o golpe patrocinado pelos militares contra o então presidente Salvador Allende, de quem era aliado, Neruda, ao que se sabe, foi vítima de um câncer de próstata. Os comunistas, porém, alegam que ele foi envenenado.

Manuel Araya, ex-motorista e amigo do poeta, em depoimento às autoridades chilenas, mudou o foco do tema ao declarar que Neruda não estava na fase terminal da doença e, sim, foi assassinado pelo regime militar de Augusto Pinochet. Segundo Araya, Neruda foi levado a uma clínica em Santiago, no periodo do golpe, por motivo de segurança. 

Foi nessa clínica que Neruda teria recebido uma injeção letal. Antes de morrer, o poeta falou com o motorista ao telefone, relatando febre depois de receber uma injeção no estômago."Ele estava doente de câncer, mas estava muito bem. O governo militar não queria que saísse do país e por isso o matou", alega Araya.

De acordo com as informações oficiais da época, Neruda faleceu no dia 23 de setembro de 1973, na Clínica Santa María, em decorrência do câncer de próstata. Informações colhidas recentemente pelo governo chileno, do hospital onde ele se tratava, asseguram que a doença estava sob controle.

Agora, o Partido Comunista do Chile alega que é uma questão moral para o país descobrir se Neruda foi mais uma vítima do regime cruel que assolou o país entre 1973 e 1990.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

[Curiosidades Literárias] Epitáfios Literários

Epitáfios são frases escritas sobre lápides ou túmulos para homenagear, descrever ou simplesmente exprimir um último desejo das pessoas ali sepultadas. Não se sabe bem ao certo como e quando esse costume surgiu, mas é certo que o mesmo já existe desde tempos imemoriais, conforme vemos nos túmulos dos grandes imperadores antigos. Entre os escritores essa prática também é relativamente comum. Selecionei alguns dos mais famosos e interessantes para mostrar a vocês.

William Shakespeare

 

Na lápide do poeta e dramaturgo inglês está escrito o seguinte epitáfio:

"Amigo, evite, por Jesus sagrado. De cavar o pó aqui enterrado. Abençoado quem poupar estes destroços. E amaldiçoado quem mover meus ossos"

John Keats



John Keats foi um poeta romântico inglês, considerado o último poeta romântico de seu país (e nós brasileiros nos contendo com o Lulu Santos, francamente). Morreu na Itália, aos 25 anos, vítima de tuberculose. Em seu túmulo está escrito:

"Esta sepultura contém tudo o que era mortal, de um Jovem Poeta Inglês, que em seu leito de morte, na amargura do seu coração, sob os olhares de seus inimigos, desejou que fossem escritas estas palavras em seu túmulo: Aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água".

Fiódor Dostoiévsk





Fiódor Dostoiévski, figurinha carimbada deste blog, foi um escritor russo, autor de vários dos maiores clássicos da história da humanidade, como Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov. Em sua lápide está escrito os seguintes versos do Evangelho de São João (Cap. XII, 24), que também serviram de subtítulo para o seu último romance, o já citado Os Irmãos Karamazov:

"Em verdade, em verdade vos digo: a semente de trigo caída na terra, se não morrer, ficará infecunda, mas, se morrer, produzirá muitos frutos." 

Charles Bukowski
 

Charles Bukowski foi um escritor norte-americano de origem alemã dono de um estilo inconfundível, marcadamente coloquial, até mesmo obsceno, com descrições de coisas banais, como porres e relacionamentos baratos. Na lápide do "Velho Safado" encontramos os seguintes dizeres:


"Não tente".

Virginia Woolf

 


Virginia Woolf foi uma escritora, ensaísta e editora inglesa, considerada um dos maiores nomes do modernismo. Acometida por uma grave depressão, suicidou-se em 1941. Possui, na humilde opinião deste que vos fala, o mais belo epitáfio dentre os escritores aqui mencionados. Em seu túmulo podemos encontrar a seguinte frase:  

"Contra ti me arremessarei, invencível e persistente, ó Morte"
  
Edgar Allan Poe


Edgar Allan Poe foi um escritor norte-americano que, juntamente com Júlio Verne, é considerado um dos criadores do gênero literário ficção científica. Sua obra, marcada pelo suspense, continua a influenciar até hoje os grandes escritores do gênero. Em sua lápide está escrito os seguintes versos, retirados de sua obra mais famosa, o poema O Corvo:


"Disse o corvo, 'Nunca mais'."

Primo Levi

 

Primo Levi é outra figurinha carimbada deste blog. Durante a 2ª Guerra Mundial, o festejado escritor italiano, que era judeu, foi prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz. Em sua lápide está escrito o número que usou durante o período em que esteve preso:

"174517"

Emily Dickinson

 


Foi uma renomada poetisa norte-americana. Em sua lápide está escrito:


"Chamada de volta".

H. P. Lovecraft

 

Howard Phillips Lovecraf foi um celebrado escritor norte-americano do gênero suspense e terror. Grande parte do seu trabalho foi inspirado pelos seus constantes pesadelos. Assim como Edgar Allan Poe, de quem era admirador confesso, é considerado um dos maiores autores do gênero terror/ficção científica. Stephen King já se referiu a ele como "o maior praticante do século XX do conto de terror clássico". Em sua lápide o escritor, nascido em Providence, estado americano de Rhode Island, presta uma homenagem a sua cidade natal, podendo se ler a seguinte frase:

"Eu sou Providence".

Arthur Conan Doyle
 

Arthur Ignatius Conan Doyle foi um escritor britânico, mais conhecido por suas histórias sobre o detetive Sherlock Holmes. Em sua lápide está escrito os seguintes dizeres:
"Verdadeiro aço. Lâmina afiada".

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] O Cavalo, Nietzsche e Dostoiévski


O filósofo alemão Friedrich Nietzsche era um confesso admirador da obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski, a quem se referia como "o único psicólogo com que tenho algo a aprender". Em vários de seus escritos é comum a referência a Dostoiévski. A admiração que Nietzsche nutria por Dostoiévski era tão forte, que até mesmo na morte o filósofo alemão prestou sua homenagem ao escritor russo.


Conta a lenda que Nietzsche foi internado depois de um estranho fato acontecido em Turim, no ano de 1889. Ao ver da sua janela um pobre cavalo ser brutalmente espancado pelo dono, o filósofo correu em socorro do animal. Após espantar o cocheiro aos berros, Nietzsche passou os braços ao redor do pescoço do cavalo e começou a chorar convulsivamente. O choro, porém, durou pouco. Acometido por um violento colapso, o filósofo precisou ser carregado para seu quarto, onde permaneceu desacordado por alguns minutos. Quando voltou a si, não era mais o mesmo - pronunciava frases ininteligíveis, cantarolava, martelava o piano e soltava estranhos ruídos.
  
Repetia, assim, inconscientemente, a cena descrita no sonho de Raskolnikov - protagonista do livro Crime e Castigo -, quando aquele, ainda criança, abraça e beija a carcaça ensanguentada de uma égua brutalizada por um bando de bêbados

Foi a derradeira homenagem que Nietzsche fez à ficção de Dostoiévski.

Durante os dez anos seguintes Nietzsche passou por uma série de tratamentos, os quais não obtiveram resultados. O filósofo morreu, em demência, em 25 de agosto de 1900, na cidade alemã de Weimar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] O que são Ghost-Writer?



Quem são eles?
Um ghost-writer é um profissional pago para escrever textos oficialmente assinados por outras pessoas - é o caso do protagonista do livro Budapeste, de Chico Buarque. O "escritor fantasma" também pode ser creditado parcialmente: usam-se fórmulas como "com fulano", "conforme relatado a sicrano".


Em que áreas atuam?

A principal atividade é escrever biografias de celebridades sem tempo, talento ou ambos. O trabalho pode ser o de botar ordem em um conjunto de anotações ou escrever tudo do zero a partir de depoimentos do biografado e (se desejado) de outras fontes.


Onde mais eles atuam?

Além de fazer biografias de famosos, ghost-writers também dão uma mão a autores de best sellers que precisam lançar mais livros do que conseguem escrever, postam em blogs de famosos, emendam roteiros de cinema com problemas e são autores de 90% dos discursos de políticos em solenidades.


sábado, 12 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] Navegar é preciso, viver não é preciso


“Navegar é preciso, viver não é preciso.” Os versos de Os Argonautas, de Caetano Veloso, são uma homenagem a Fernando Pessoa e seu poema “Navegar É Preciso”, de 1914. A frase, porém, não é do poeta português. Ele se inspirou em Roma.


Pessoa cita “navegadores antigos”, marujos sob comando de Pompeu, general que viveu numa época de instabilidade, com guerras e ataques piratas. Por volta de 70 a.C., Pompeu foi enviado à Sicília para escoltar uma frota com provisões para Roma, que passava fome diante de uma rebelião de escravos liderada por Espártaco. Com os navios prontos para partir, o comandante da frota anteviu uma tempestade e sugeriu a Pompeu que adiassem a partida. Segundo o historiador romano Plutarco, foi nessa hora que o general disse: “Navigare necesse, vivere non necesse”.



Ao chegar a Roma, Pompeu foi eleito cônsul com o apoio das camadas mais populares, que o viam como herói. Depois, comporia o primeiro triunvirato, governando Roma com Crasso e Júlio César.

sábado, 5 de novembro de 2011

"Claraboia", inédito de Saramago, é lançado após quase 60 anos



Em janeiro de 1953, com 30 anos, sob o pseudônimo Honorato, José Saramago concluiu o seu segundo romance, "Claraboia". Por caprichos que a literatura é pródiga em operar, só agora, quase 60 anos depois, o livro é publicado.

Após ver a obra esnobada por uma editora, o único Nobel de Literatura da língua portuguesa nunca mais quis vê-la publicada, mas autorizou que o fizessem após a sua morte - ocorrida em 2010.

O enredo em torno de "Claraboia" nesses anos todos é um romance em si.

O descaminho começa quando Saramago entrega o original a um amigo, o artista plástico Figueiredo Sobral.  O futuro Nobel era, naquele 1953, um burocrata que fazia cálculos de pensões na Companhia Previdente.

Seu romance de estreia, "Terra do Pecado", de 1947, tivera tímida acolhida de público e crítica. O amigo encaminhou "Claraboia" à Empresa Nacional de Publicidade. A editora não deu resposta ao autor e nunca lhe devolveu o original.

Saramago só tinha uma outra cópia, mas, segundo seu editor e amigo Zeferino Coelho contou à Folha, perdeu-a poucos anos depois.

"Claraboia" sumiu.

Quarenta anos mais tarde, no início dos anos 90, sendo Saramago já um romancista consagrado, a editora o procurou para dizer que, numa mudança, havia encontrado o manuscrito e tinha interesse em publicá-lo.

Era tarde demais.


Retirei Daqui

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] Metrofobia


Já falei neste Blog um pouco sobre a Síndrome de Stendhal, consistente numa doença psicossomática bastante rara, caracterizada pela aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, falta de ar e mesmo alucinações, decorrentes do excesso de exposição do indivíduo a obras de arte, sobretudo em espaços fechados. Enfim, basicamente o sujeito tem medo de obras de artes.

Outra fobia extremamente bizarra relacionada com a literatura é a Metrofobia, a qual consiste num medo irracional de poesia. Percebam, meus queridos leitores, que não estamos falando aqui de preferências literárias ou coisa do tipo. Estamos falando de algo mais; estamos falando de um medo irracional a poesia. 

Ps: não sei vocês, amigos leitores, mas eu particularmente fiquei imaginando um portador de Metrofobia assistindo a uma aula sobre Parnasianismo. Acho que o coitado se borraria nas calças. Se recitassem o Vaso Grego acho que ele batia as botas.

sábado, 29 de outubro de 2011

Os mais memoráveis inícios de livros

Se por um lado é certo que não podemos julgar um livro apenas pelo seu início, por outro lado é igualmente certo que um bom início de livro pode ser decisivo na escolha do leitor acerca da leitura ou não da obra. Assim, elaborei uma pequena lista dos mais memoráveis começos de livros que eu já tive o prazer de ler. Passemos a ela:

O Estrangeiro - Albert Camus



"Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: "Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.". Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem."

Memórias Póstumas  de Brás Cubas - Machado de Assis



"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais elegante e mais novo."

Memórias do Subsolo ou Notas do Subterrâneo -  Fiódor Dostoiévski


"Eu sou um homem doente... Sou um homem malvado. Sou um homem desagradável. Creio que tenho uma doença do fígado. Aliás, não compreendo absolutamente nada de minha moléstia e não sei mesmo exatamente onde está o mal."

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


"Queimar era um prazer".

A Metamorfose - Franz Kafka


"Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso".

O Processo - Franz Kafka 


"Alguém certamente havia caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã."

Anna Karenina - Liev Tólstoi 


"As famílias felizes são todas iguais; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira".

Cem anos de Solidão - Gabriel García Márquez


"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo."


E paras vocês, caros leitores, quais são os mais impressionantes inícios de livros?

14 ensinamentos duvidosos do ditador líbio Muamar Kadafi



O Green Book, ou Livro Verde, escrito pelo ditador líbio Muamar Kadafi, traz a filosofia política e social que ele defende para o país. Traduzido para cerca de 90 idiomas, o Livro Verde foi publicado originalmente em 1975 para ser lido por todos os líbios – as crianças, inclusive, passam algumas horas por semana estudando as lições na escola. Trechos dele são transmitidos todos os dias na televisão e no rádio e seus slogans são encontrados em outdoors e pintados em edifícios do país. O livro, que traz uma mistura de nacionalismo árabe com socialismo utópico, foi escrito em linguagem simples e traz frases de fácil memorização – bem apropriadas para fixar as ideias na cabeça das pessoas.  Desde o início da guerra na Líbia, no começo do ano, exemplares têm sido queimados por manifestantes anti-Kadafi.

Entre os líbios, há quem considere a obra como a solução para todos os problemas do país (coisa que o próprio livro se propõe a ser) e há quem o veja como o fruto da mente confusa de um ditador que subestima a inteligência do seu povo – e faz umas afirmações pseudocientíficas um tanto equivocadas. Selecionamos alguns trechos do Livro Verde para você entender o porquê.


1- Família
“A família é exatamente como uma planta, composta por ramos, folhas e botões. Adaptar a paisagem natural ou transformá-la em jardins ou parques é um processo artificial que nada tem a ver com a verdadeira natureza das plantas. Também fatores políticos, econômicos ou militares têm transformado grupos de famílias em Estados que nada têm a ver com a humanidade.”

2- A lei
“Que um comitê ou um Parlamento legisle para a sociedade é injusto e antidemocrático. (…) A verdadeira Lei de uma sociedade é o costume (tradição) ou a religião; todas as outras tentativas fora destas duas fontes são inúteis e ilógicas.”

3- Nacionalismo
“O nacionalismo no mundo dos homens e o instinto de grupo no mundo animal funcionam como a lei da gravidade no mundo mineral. Se, por um acaso, a massa solar se desagregasse a ponto de perder a sua gravidade, gases explodiriam em todas as direções e a unidade do Sol deixaria de existir. A unidade é, portanto, a base da sua sobrevivência.



4-Mulher
“A mulher é uma fêmea e o homem é um macho. De acordo com os ginecologistas, a mulher é menstruada ou está doente todos os meses, enquanto que o homem, sendo macho, não é menstruado e não está sujeito ao período mensal de hemorragia. (…) Quando o ciclo menstrual para é porque a mulher está grávida. Se ela está grávida, fica, devido à gravidez, doente durante cerca de um ano, o que significa que todas as suas atividades naturais ficam seriamente reduzidas até ela parir o seu bebê. (…) Como o homem não engravida não está sujeito às doenças que a mulher, sendo fêmea, sofre.”

5- Esportes
Tal como não seria correto permitir às pessoas a entrada nos templos para assistir às orações dos crentes, também é absurda a presença de pessoas nos estádios para verem jogar um pequeno grupo. Num estádio deveriam ser elas próprias a jogar. O desporto público é para as massas. Ele constitui um direito de todo o povo para a sua saúde e recreio. (…) Os milhares de pessoas que enchem os estádios para ver, rir e aplaudir são idiotas que não souberam praticar essa atividade elas próprias.”

6- Religião
“A regra ideal seria que cada Nação tivesse uma religião. O contrário disto cria uma situação anormal geradora de disputas no seio do mesmo grupo nacional. (…) Quando o fator social é compatível com o fator religioso, a harmonia é possível e a vida do grupo é estável desenvolvendo-se saudavelmente.”

7- Cultura e genética (?)
“Se determinado grupo de pessoas usar roupas brancas em sinal de luto e outro grupo usar roupas negras com o mesmo fim, o primeiro grupo odiará a cor branca e o segundo odiará, pela mesma razão, a cor negra. Esse sentimento em relação às cores tem efeitos físicos nas células e nos genes, transmitindo-se, portanto, de geração em geração. O herdeiro odiará automaticamente a cor odiada pelo seu legador em virtude de ter herdado o seu sentimento em relação às cores.”

8- Maternidade
“Dispensar o papel natural da mulher na maternidade, ou arranjar creches para substituir as mães é o princípio de dispensar a sociedade humana transformando-a numa sociedade biológica com um modo de vida artificial. Separar as crianças das mães e amontoá-las em creches é um processo através do qual estas são transformadas em algo parecido com pintos. As creches parecem-se com aviários onde os pintos são engordados, depois de saírem dos ovos.”

9- Trabalho feminino forçado
“Não é verdadeira a convicção generalizada, mesmo entre as mulheres, de que a mulher executa trabalho físico por vontade própria. De fato, ela executa trabalho físico apenas porque a sociedade dura e materialista a colocou, sem ela disso ter consciência direta, sob condições coercivas. Ela não tem alternativa senão submeter-se às condições dessa sociedade embora pense que trabalha por vontade própria.”

10- Diferenças entre homem e mulher
“A regra de que a “mulher é em tudo igual ao homem” priva a mulher da sua liberdade. A mulher é terna. A mulher é bonita. A mulher chora facilmente. A mulher assusta-se com facilidade. Em geral, a mulher é gentil, e o homem, rude em virtude das suas próprias naturezas internas.”

11- “O pretos prevalecerão no mundo”
“Surgiu a raça branca a impor o seu colonialismo em todos os continentes. É agora a vez de a raça negra se impor por seu turno. Os negros encontram-se atualmente em situação social muito atrasada. Contudo esse atraso favorece-os numericamente uma vez que o seu baixo nível de vida os protege das medidas anticoncepcionais e do planejamento familiar. As suas tradições sociais atrasadas também os levam a não limitar os casamentos, o que favorece o seu crescimento ilimitado, enquanto que as outras raças vão decrescendo de número devido às práticas de controle dos nascimentos, às restrições impostas ao casamento e à permanente ocupação no trabalho (em contrapartida, os pretos vivem ociosamente num clima sempre quente).”

12- Vigilância
“Uma vez que uma tribo é uma grande família, ela proporciona aos seus membros os mesmos benefícios sociais e vantagens materiais que a família proporciona aos seus. Nesse aspecto, a tribo é uma família secundária. Contudo, o indivíduo poderá, no seio da tribo, ter um comportamento como não ousaria. Sendo a família numericamente inferior, o indivíduo pode mais facilmente escapar à vigilância, o que já não acontece na tribo onde a vigilância é sentida e exercida por todos os membros.”

13- Dinheiro
“Pois que assim é, nenhum indivíduo tem o direito de desenvolver uma atividade econômica com o objetivo de adquirir dessa riqueza mais que o necessário para satisfazer as suas necessidades, porque o excedente pertence a outros indivíduos.”

14- Espetáculos
“As pessoas que dirigem elas próprias as suas vidas não precisam de observar o comportamento dos atores nos palcos ou nos cinemas. (…) Os povos beduínos não manifestam interesse pelos teatros e outros espetáculos porque são homens inteiros e íntegros. Na medida em que criaram uma vida harmoniosa e integrada ridicularizam a representação.”

Retirei Daqui

sábado, 22 de outubro de 2011

6 escritores consagrados que não enxergavam direito

Homero




O autor grego dos poemas épicos Ilíada e Odisseia é muito controverso. Nem mesmo o século de seu nascimento é muito preciso. O século 8 a.C. é conhecido como a “data de Homero”, a época em que supostamente os poemas foram escritos. Isso significaria que Homero viveu 4 séculos após a Guerra de Troia, que ele narra com tantos detalhes na Ilíada. Confuso?

Se não sabemos sequer quando e onde nasceu (ou mesmo SE nasceu – existem teóricos que duvidam de sua existência), como saber se ele era cego? O que temos são teorias, mas mesmo assim ele não poderia faltar nessa lista. O nome Homero deriva de “homerus”, que significa “refém”, palavra muitas vezes usada como sinônimo para “cego” em grego. Ainda que existam documentos se referindo ao autor como “bardo cego”, pode ser que seu nome também significasse “aquele que guia os que não veem”, através da poesia. Esperamos a criação de uma máquina do tempo e/ou o Doctor Who para confirmar o que se diz sobre o escritor.

Luís de Camões



Nascido em 1524 em Portugal, Camões, um dos grandes poetas da Língua Portuguesa, perdeu um dos olhos em um campo de batalha na África. Felizmente, isso não impediu o escritor de escrever “Os Lusíadas”, epopeia nacionalista que conta a história do descobrimento da rota marítma para a Índia por Vasco da Gama. Publicada em 1572, a obra foi escrita durante algumas viagens do autor pelo Oriente – conta-se, inclusive, que Camões naufragou em uma jornada de volta a Goa e que os únicos sobreviventes do desastre foram o poeta e o manuscrito de sua obra-prima.

Ainda que não tivesse uma visão perfeita (a percepção da profundidade é mais prejudicada pela falta de um olho), Camões não deixou de viver loucamente: foi preso várias vezes, lutou em diversas batalhas ao redor do mundo, amou mulheres que o rejeitaram e, no fim, voltou a Portugal – mas não como heroi. Faleceu em 1580 com pouco dinheiro no bolso e sem o devido reconhecimento por sua obra.

John Milton



O poeta, nascido em 1608, ditou o épico “O Paraíso Perdido” da prisão, entre 1658 e 1664 e publicou-o em 1667. O autor foi preso por apoiar Oliver Cromwell durante o curto período republicano da Inglaterra e teria ficado cego enquanto cumpria sua pena, vítima de glaucoma.

“O Paraíso Perdido” conta a história da criação de Adão e Eva, a queda de Lúcifer e a sua expulsão do paraíso. A obra mistura paganismo, mitologia clássica e cristianismo no mesmo caldeirão. Em 1771, Milton publicou uma sequência do poema: “O Paraíso Recuperado”, que conta a história de Jesus. O poeta ficou consagrado por escrever em “versos brancos”, que possuem métrica, mas não rimam.

James Joyce


Nascido em 1881, o escritor irlandês é considerado um dos autores mais influentes do século XX. Entre seus trabalhos mais famosos estão “Dublinenses”, “Ulisses” e “Finnegans Wake”, sendo o último a sua obra mais experimental (e díficil de entender). Informalmente, Joyce também é conhecido como o maior escritor que todos fingem que já leram.

Joyce sofreu com vários problemas nos olhos e teve que se submeter a diversas cirurgias, sem conseguir jamais recuperar totalmente sua visão. Sylvia Beach, editora de algumas das obras do escritor, conta em seu livro “Shakespeare and Company” que as provas gráficas de Ulisses eram aumentadas diversas vezes para que o escritor pudesse revisá-las. Para escrever “Finnegan’s Wake”, Joyce contou com a ajuda de diversos assistentes que escreviam o que ele ditava. Um deles era o dramaturgo e novelista Samuel Beckett (mais conhecido pela peça “Esperando Godot”, em que nada acontece. Sério.).


Aldous Huxley



Autor de “Admirável Mundo Novo”, Huxley teve uma doença chamada queratite pontuada que o deixou praticamente cego em 1911, quando tinha 17 anos. A limitação da visão impediu o inglês de servir o exército durante a Primeira Guerra Mundial.

Alguns acreditam que essa quase completa cegueira que durou quase três anos foi o que salvou o autor dos horrores da guerra e possiblitou que ele se tornasse um professor na universidade de Oxford. Sua visão foi melhorando com o tempo – em 1940, ele precisava apenas de lentes de aumento para ler. Huxley publicou seu primeiro livro aos 20 anos e “Admirável Mundo Novo” aos 38, antes de se mudar para os Estados Unidos em 1937.


Jorge Luis Borges




Um dos grandes romancistas e ensaístas argentinos do século XX – talvez o maior deles – sofreu com uma cegueira hereditária progressiva que o deixou completamente cego em 1955 quando Borges tinha 56 anos. A falta de visão não impediu o autor de “Ficções” e “O Aleph” de continuar produzindo, inclusive ironizando sobre sua própria limitação.

Teimoso, Borges nunca aprendeu Braille. Assim que sua visão o tornou mais dependente, mudou-se para a casa da mãe, que atuou como sua assistente pessoal até morrer, aos 99 anos, em 1975.  Depois da morte dela, Borges viajou muito pelo mundo na companhia da secretária com a qual casaria em 1986, no Paraguai, poucos meses antes de morrer de câncer no fígado.

Originalmente Publicado Aqui

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

[Curiosidades Literárias] O que foi a geração beat?


Foi um movimento literário originado em meados dos anos 1950 por um grupo de jovens intelectuais que estava cansado do modelo quadradinho de ordem estabelecido nos EUA após a Segunda Guerra Mundial. Com o objetivo de se expressarem livremente e contarem sua visão do mundo e suas histórias, esses escritores começaram a produzir desenfreadamente, muitas vezes movidos a drogas, álcool, sexo livre e jazz – o gênero musical que mais inspirou os beats. Mais do que escrever, esse grupo de amigos tinha interesse em estar sempre junto, compondo, viajando, bebendo e, por vezes, transando em grupo.

O beat chegou a outras formas de arte, mas com menos impacto. Na literatura, durou entre 1944 e 1959


As características do movimento:

- Intensidade em tudo: no estilo narrativo, nos temas, nos personagens

- Escrita compulsiva

- Fluxo de pensamento desordenado, por vezes caótico

- Linguagem informal, cheia de gírias e palavrões, ou com o chamado “hip talk” (um vocabulário típico do submundo marginal da cidade de Nova York)

- Grande valorização da transmissão oral

- Apoio à igualdade étnica, à miscigenação e às trocas culturais entre raças


O ícone

Jack Kerouac (1922-1969)

Principal obra: On the Road (1957)



Seu mais importante livro, que viria a se tornar a “Bíblia hippie”, fala sobre sua viagem de sete anos cruzando os EUA, com descidas frequentes ao México. Kerouac o redigiu em apenas três semanas, com uma máquina de escrever e dois rolos de papel (para não ter de parar para colocar novas folhas na máquina). Seu “estilo-avalanche”, sem preocupação com pontuação e parágrafo, foi estimulado pelo uso de benzedrina, um tipo de anfetamina.

O poeta

Allen Ginsberg (1926-1997)

Principal obra: Uivo e Outros Poemas (1955-1956)




Ideólogo, pensador e agitador do movimento, foi também o responsável pela chamada “extensão” do beat às gerações futuras. Diz-se até que foram seus cabelos compridos, sua barba e suas batas coloridas (adquiridas em uma viagem à Índia) que teriam inspirado o típico visual dos hippies. Para compor suas poesias, provou todo tipo de droga (até distribuiu LSD nas ruas!), mas depois “viciou-se” em ioga e meditação.

O junkie

William Burroughs (1914-1997)

Principal obra: Almoço Nu (1959)





Foi o que mais sofreu com as drogas – passou por várias reabilitações e tratamentos. Em uma viagem ao México, tentou acertar um tiro em um copo equilibrado sobre a cabeça de sua mulher, Joan Vollmer, mas acabou matando-a. Veio à América do Sul estudar o alucinógeno vegetal ayahuasca e também iniciou (mas não completou) vários manuscritos sobre a homossexualidade

O editor

Lawrence Ferlinghetti (1919-)

Principal obra: Um Parque de Diversões da Cabeça (1958)




É o maior expoente vivo do beat, talvez por nunca ter levado o mesmo estilo de vida desenfreado que os outros. Sem sua coragem, nunca conheceríamos as loucuras de seus colegas: sua editora, a City Lights, publicou as principais obras do movimento. Algumas lhe deram muita dor de cabeça – ele chegou a ser preso após lançar Uivo, acusado de obscenidade.

O rebelde

Gregory Corso (1930-2001)

Principal obra: Bomb (1960)





Abandonado pela mãe ainda recém-nascido, passou por vários lares adotivos e orfanatos até ser preso, na adolescência, por furto. Na cadeia, tornou-se autodidata e descobriu a literatura. Foi o mais jovem dos beats e, assim como seu amigo Ginsberg, que o introduziu ao grupo, tornou-se poeta. Revoltado e insubordinado, também chegou a ser internado em um hospício mais de uma vez

...e como ficou:

Onde você encontra a influência deles:

- Nos movimentos estudantis e na onda hippie dos anos 60, que herdaram causas como a ecologia e o amor livre;

- Na liberação feminista e no movimento homossexual, em parte consequências da luta dos beats pela liberdade sexual;

- Em canções de Bob Dylan e Jim Morrison e em filmes de Wim Wenders e Jim Jarmusch;

- No punk rock, considerado uma retomada do espírito beat por sua verve selvagem, espontânea e contestatória



Vi Aqui

[Curiosidades Literárias] Don Juan realmente existiu?





É bem provável que o lendário sedutor tenha sido inspirado por uma pessoa de carne e osso, mas até hoje ninguém conseguiu comprovar isso. Vários historiadores tentaram descobrir sua identidade pesquisando famílias aristocráticas na Espanha e chegaram a supor que ele seria Miguel Mañara, nobre de Sevilha famoso por seu comportamento libertino. Mas Mañara acabou sendo descartado porque nasceu em 1626, apenas quatro anos antes de o personagem estrear na obra O Burlador de Sevilha e O Convidado de Pedra, do espanhol Tirso de Molina, de 1630. "Acredita-se que Molina teria se baseado em vários contos populares sobre libertinos da época. Foi o elemento demoníaco do sedutor, em uma época muito religiosa, o que o tornou tão popular", afirma o filósofo Renato Janine Ribeiro, da Universidade de São Paulo (USP). De fato, Don Juan transformou-se em fonte de inspiração para inúmeras obras de arte no mundo todo.

A história começou a se espalhar pela Europa com a peça do francês Molière, Don Juan ou Le Festin de Pierre (Don Juan ou O Banquete de Pedra), em 1665. Seguiram-se óperas, poemas, filmes, e, assim, até hoje Don Juan continua vivo no imaginário popular.

Sedução sem fim Do teatro ao cinema, a lenda de Don Juan atravessa séculos
1630 - O BURLADOR DE SEVILHA

Escrita pelo frade espanhol Tirso de Molina, essa é a primeira versão literária que se conhece da lenda de Don Juan.

1665 - DON JUAN OU O BANQUETE DE PEDRA

Foi com essa peça de Molière, um dos maiores dramaturgos franceses, que a fama do personagem sedutor se espalhou pela Europa. Molière a escreveu logo depois de outra obra sua, O Tartufo, ser proibida no país. Don Juan, semanas após seu lançamento, também foi proibida.

1787 - DON GIOVANNI

Considerada por muitos a obra-prima do genial compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, essa ópera estreou em Praga (na antiga Tchecoslováquia). A intensidade musical da penúltima cena, em que Don Juan é arrastado para o inferno, marcou a história desse gênero musical.

1819 - DON JUAN

Poema satírico escrito por Lord Byron, poeta inglês cuja obra teve, no século XIX, grande projeção no panorama cultural europeu, exerceu enorme influência sobre seus contemporâneos Ele começou a escrever essa série brilhante e atrevida em 1819. Ao morrer, em 1824, deixou-a inacabada.

1998 - DON JUAN

O cinema fez dezenas de versões da história do sedutor espanhol. Essa, dirigida pelo francês Jacques Weber - que também faz o papel principal - é a última delas e permanece inédita no Brasil. Entre as beldades seduzidas por ele estão Penelope Cruz e Emmanuelle Béart.