terça-feira, 12 de abril de 2011

ABL concede sua honraria máxima para Ronaldinho Gaúcho


Sem ter autor ou livro preferido, o meia-atacante Ronaldinho foi homenageado ontem pela ABL (Academia Brasileira de Letras).
Convidado para participar de um almoço com os acadêmicos em celebração aos 110 anos de nascimento de José Lins do Rego, flamenguista histórico, o atleta recebeu a medalha Machado de Assis, a máxima honraria da ABL.
Na mesa do Palácio Petit Trianon, foi identificado como "Doutor Ronaldinho".Ele é o primeiro jogador em atividade a receber a medalha. O técnico Vanderlei Luxemburgo também ganhou a peça no almoço.
"Não tenho", declarou Ronaldinho ao ser questionado sobre seu livro predileto.
Para encontrar os "imortais", ele fez uma pequena mudança no visual. Deixou as camisetas estampadas de lado e usou camisa social preta e calça jeans. Além disso, escondeu suas correntes de ouro dentro da camisa. Apesar da vestimenta um pouco mais formal, não abriu mão do tênis e da boina.
"Pretendo trazer a minha família aqui. É sempre bom ter contato com a cultura. Vou aproveitar a visita para pedir umas dicas de livro para os acadêmicos", afirmou. Logo em seguida, o presidente da ABL, Marcos Vilaça, presenteou o jogador com um livro de crônicas de José Lins do Rego sobre o clube ("Flamengo é Puro Amor").
"É um privilégio estar aqui. Um dos dias mais importantes da minha vida e que não vou esquecer", disse Ronaldinho pouco antes de deixar o local. Em 2010, Joel Santana, então no Botafogo, também ganhou a medalha.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Para Vargas Llosa Peru tem duas opções: suicídio ou milagre


O escritor e Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa afirmou nesta segunda-feira, 10, que o Peru tem duas opções: o suicídio ou o milagre, ao ser questionado sobre as eleições presidenciais de domingo em seu país.

Vargas Llosa, que foi candidato à presidência do Peru em 1990, disse que o nacionalista Ollanta Humala, que lidera a apuração dos votos, é (o presidente venezuelano Hugo) "Chávez com uma linguagem abrasileirada; a catástrofe", segundo o jornal espanhol La Vanguardia.

Sobre a outra candidata, a filha do ex-presidente Alberto Fujijori, advertiu que "com Keiko (Fujimori), os criminosos e assassinos passariam da prisão ao governo".

Depois de admitir que a situação política peruana é insólita para um observador da Europa, Vargas Llosa disse que no país "se enfrentam extrema-esquerda e extrema-direita, com um centro dividido em três partidos".

Depois de explicar que os candidatos de centro, Jorge Castañeda, Pedro Pablo Kuczynski e Alejandro Toledo, "seguiriam com o modelo político, econômico e social que existe", previu que "os extremos", Humala e Keiko, são os que colocam o sistema em perigo".

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sábado, 9 de abril de 2011

Primeira obra de Jorge Amado completa 80 anos

Há 80 anos, o escritor Jorge Amado (1912-2001) publicava seu primeiro livro, "O País do Carnaval", relançado neste mês pela Companhia das Letras.

Com 18 anos, produziu um romance com pouco do colorido e da brasilidade que marcariam sua obra futura, mas inaugurou ali uma produção literária que mudaria para sempre o mercado editorial brasileiro. Ao longo da carreira, com 45 livros publicados, a maioria romances, vendeu 20 milhões de exemplares no Brasil e foi traduzido em 55 países, onde, estima-se, tenha vendido 60 milhões de livros.

Isso fez dele o escritor brasileiro de maior público, só superado por Paulo Coelho. Apesar do feito, Amado nunca conseguiu romper a resistência da crítica especializada e sobretudo do meio acadêmico.

Dez anos após sua morte, e a um ano do centenário de nascimento, o descompasso entre seu sucesso com o público e a resistência da crítica permanece.

"Em 35 anos de magistério, só conheci um professor que se ocupou dele. Também ignoro a existência de teses ou dissertações sobre sua obra. Caiu sobre ele aquele anátema do 'não li e não gostei'", diz o crítico literário e membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) Antônio Carlos Secchin.

Além da desconfiança recorrente no meio acadêmico em relação aos escritores de sucesso, duas críticas grudaram em sua obra.

Uma, de que a primeira fase de sua produção, que vai de "O País do Carnaval" a "Os Subterrâneos da Liberdade" (1954), período de sua militância comunista, seria excessivamente engajada, o que tornava os livros muito esquemáticos, fragilizando a composição.

A outra, de que sua segunda fase, inaugurada com "Gabriela" (1958), acabou derivando para uma literatura simplista, de pouca densidade psicológica.

FÓRMULA POPULISTA
"A crítica que se faz é que ele adotou uma fórmula populista, criando uma imagem de Brasil mulato onde as relações se resolvem por meio da ginga, mas que no fundo mascara todas as contradições da realidade", diz o crítico Alcir Pécora.
Desde os anos 1940, a obra de Jorge Amado divide os intelectuais. Mário de Andrade o criticava por ser caudaloso, mas pouco esforçado em seu texto. De uma forma geral, os modernistas entendiam sua obra como um retrocesso, já que não promovia inovações de linguagem e não se abria a várias interpretações.
"Ele retomou o folhetim romântico do século 19. Mas conseguiu arrastar multidões com isso e criou público para o romance brasileiro", diz Eduardo de Assis Duarte, professor da Faculdade de Letras da UFMG.
Os intelectuais que vão em sua defesa sustentam que a fluidez, o apelo público e a capacidade de criar personagens --são mais de 3.000, alguns deles incorporados ao imaginário brasileiro-- são qualidades que o habilitam a estar entre os maiores da língua portuguesa.
"O livro pode ter densidade psicológica e ser um péssimo romance. Jorge Amado permitiu que muitos leitores gostassem de literatura e se reconciliassem com os temas nacionais", diz o escritor João Ubaldo Ribeiro.
Para o cineasta Cacá Diegues, que adaptou para o cinema o livro "Tieta do Agreste", o escritor foi quem melhor entendeu a sociedade brasileira. "Ele é o nosso Dickens, o nosso Balzac", diz.
INTÉRPRETE
Lilia Schwarcz, coordenadora editorial da Companhia das Letras, ressalta seu lado como pensador e intérprete do Brasil.
"É uma leitura do país que continua viva porque continua a incomodar", diz.
Seu público também não arrefeceu. Em três anos na Companhia das Letras, Amado vendeu 800 mil exemplares, mais que qualquer outro autor da editora.
Sua filha, Paloma Amado, diz que, nos últimos dois anos, assinou contratos para reedições de livros em russo, chinês, coreano e turco.
"Durante muito tempo ele fez sucesso nos países ligados ao bloco comunista porque, como membro do Partido Comunista, seus livros não tinham tanto problema com a censura. Mas sua projeção deve-se, em primeiro lugar, ao fato de ser muito bom, e depois por ter conseguido que seu regionalismo se tornasse universal", diz.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

[Curiosidades Literárias] Quem são os imortais da Academia Brasileira de Letras?


Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector. Nenhum deles ocupou cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Em compensação, Ivo Pitanguy, José Sarney e Paulo Coelho estão entre os atuais 40 imortais, o que mostra que não são só as letras que contam (ver quadro Dança das cadeiras, na pág. à direita).

O estatuto da ABL explica em seu 2º artigo que "só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário". Na prática, ocupa a vaga quem fizer o melhor lobby entre os 39 imortais que, em de voto secreto, escolhem seu próximo colega.

E mais uma eleição se aproxima. Em 28 de fevereiro faleceu o bibliófilo José Mindlin, que desde 2006 ocupava a cadeira 29. Em 4 de março, quando foi declarada vaga na Sessão da Saudade, já despontaram vários e variados candidatos, como o cartunista Ziraldo, o sambista Martinho da Vila e o diretor da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré. Mas as apostas repousam em Eros Grau, que já ocupa uma cadeira cobiçada: ele é ministro do Supremo Tribunal Federal.

Mas fãs de ironias históricas devem torcer para o embaixador Geraldo de Holanda Cavalcanti, casado com a escritora Dirce de Assis Cavalcanti, filha de Dilermando de Assis. Em 1909, Dilermando matou, em legítima defesa, Euclides da Cunha, que ocupava a cadeira nº 7 da ABL. Exatos 101 anos depois, o genro de um assassino de imortal se tornando imortal - dava um livro.

MULHERES


80 anos foi o tempo que levou para que uma mulher ingressasse na academia: a primeira foi Rachel de Queiroz, em 1977.

À FRANCESA

1897 é o ano de criação da ABL, inspirada na Academie Française - bem de acordo com o gosto da elite intelectual do Rio de Janeiro da época.

OS ELEITOS

293 membros já passaram pelas 40 cadeiras da ABL.

VETERANOS


- 77 anos é a média de idade dos imortais
- 63 anos é a média da idade em que foram eleitos

LONGO E BREVE

- Mais tempo como imortal: Carlos Magalhães de Azeredo, de 1897 a 1963 (66 anos).


- Menos tempo como imortal: João Guimarães Rosa, assumiu 5ª e morreu domingo (3 dias).

Daqui