quinta-feira, 24 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] O Cavalo, Nietzsche e Dostoiévski


O filósofo alemão Friedrich Nietzsche era um confesso admirador da obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski, a quem se referia como "o único psicólogo com que tenho algo a aprender". Em vários de seus escritos é comum a referência a Dostoiévski. A admiração que Nietzsche nutria por Dostoiévski era tão forte, que até mesmo na morte o filósofo alemão prestou sua homenagem ao escritor russo.


Conta a lenda que Nietzsche foi internado depois de um estranho fato acontecido em Turim, no ano de 1889. Ao ver da sua janela um pobre cavalo ser brutalmente espancado pelo dono, o filósofo correu em socorro do animal. Após espantar o cocheiro aos berros, Nietzsche passou os braços ao redor do pescoço do cavalo e começou a chorar convulsivamente. O choro, porém, durou pouco. Acometido por um violento colapso, o filósofo precisou ser carregado para seu quarto, onde permaneceu desacordado por alguns minutos. Quando voltou a si, não era mais o mesmo - pronunciava frases ininteligíveis, cantarolava, martelava o piano e soltava estranhos ruídos.
  
Repetia, assim, inconscientemente, a cena descrita no sonho de Raskolnikov - protagonista do livro Crime e Castigo -, quando aquele, ainda criança, abraça e beija a carcaça ensanguentada de uma égua brutalizada por um bando de bêbados

Foi a derradeira homenagem que Nietzsche fez à ficção de Dostoiévski.

Durante os dez anos seguintes Nietzsche passou por uma série de tratamentos, os quais não obtiveram resultados. O filósofo morreu, em demência, em 25 de agosto de 1900, na cidade alemã de Weimar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] O que são Ghost-Writer?



Quem são eles?
Um ghost-writer é um profissional pago para escrever textos oficialmente assinados por outras pessoas - é o caso do protagonista do livro Budapeste, de Chico Buarque. O "escritor fantasma" também pode ser creditado parcialmente: usam-se fórmulas como "com fulano", "conforme relatado a sicrano".


Em que áreas atuam?

A principal atividade é escrever biografias de celebridades sem tempo, talento ou ambos. O trabalho pode ser o de botar ordem em um conjunto de anotações ou escrever tudo do zero a partir de depoimentos do biografado e (se desejado) de outras fontes.


Onde mais eles atuam?

Além de fazer biografias de famosos, ghost-writers também dão uma mão a autores de best sellers que precisam lançar mais livros do que conseguem escrever, postam em blogs de famosos, emendam roteiros de cinema com problemas e são autores de 90% dos discursos de políticos em solenidades.


sábado, 12 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] Navegar é preciso, viver não é preciso


“Navegar é preciso, viver não é preciso.” Os versos de Os Argonautas, de Caetano Veloso, são uma homenagem a Fernando Pessoa e seu poema “Navegar É Preciso”, de 1914. A frase, porém, não é do poeta português. Ele se inspirou em Roma.


Pessoa cita “navegadores antigos”, marujos sob comando de Pompeu, general que viveu numa época de instabilidade, com guerras e ataques piratas. Por volta de 70 a.C., Pompeu foi enviado à Sicília para escoltar uma frota com provisões para Roma, que passava fome diante de uma rebelião de escravos liderada por Espártaco. Com os navios prontos para partir, o comandante da frota anteviu uma tempestade e sugeriu a Pompeu que adiassem a partida. Segundo o historiador romano Plutarco, foi nessa hora que o general disse: “Navigare necesse, vivere non necesse”.



Ao chegar a Roma, Pompeu foi eleito cônsul com o apoio das camadas mais populares, que o viam como herói. Depois, comporia o primeiro triunvirato, governando Roma com Crasso e Júlio César.

sábado, 5 de novembro de 2011

"Claraboia", inédito de Saramago, é lançado após quase 60 anos



Em janeiro de 1953, com 30 anos, sob o pseudônimo Honorato, José Saramago concluiu o seu segundo romance, "Claraboia". Por caprichos que a literatura é pródiga em operar, só agora, quase 60 anos depois, o livro é publicado.

Após ver a obra esnobada por uma editora, o único Nobel de Literatura da língua portuguesa nunca mais quis vê-la publicada, mas autorizou que o fizessem após a sua morte - ocorrida em 2010.

O enredo em torno de "Claraboia" nesses anos todos é um romance em si.

O descaminho começa quando Saramago entrega o original a um amigo, o artista plástico Figueiredo Sobral.  O futuro Nobel era, naquele 1953, um burocrata que fazia cálculos de pensões na Companhia Previdente.

Seu romance de estreia, "Terra do Pecado", de 1947, tivera tímida acolhida de público e crítica. O amigo encaminhou "Claraboia" à Empresa Nacional de Publicidade. A editora não deu resposta ao autor e nunca lhe devolveu o original.

Saramago só tinha uma outra cópia, mas, segundo seu editor e amigo Zeferino Coelho contou à Folha, perdeu-a poucos anos depois.

"Claraboia" sumiu.

Quarenta anos mais tarde, no início dos anos 90, sendo Saramago já um romancista consagrado, a editora o procurou para dizer que, numa mudança, havia encontrado o manuscrito e tinha interesse em publicá-lo.

Era tarde demais.


Retirei Daqui

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

[Curiosidades Literárias] Metrofobia


Já falei neste Blog um pouco sobre a Síndrome de Stendhal, consistente numa doença psicossomática bastante rara, caracterizada pela aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, falta de ar e mesmo alucinações, decorrentes do excesso de exposição do indivíduo a obras de arte, sobretudo em espaços fechados. Enfim, basicamente o sujeito tem medo de obras de artes.

Outra fobia extremamente bizarra relacionada com a literatura é a Metrofobia, a qual consiste num medo irracional de poesia. Percebam, meus queridos leitores, que não estamos falando aqui de preferências literárias ou coisa do tipo. Estamos falando de algo mais; estamos falando de um medo irracional a poesia. 

Ps: não sei vocês, amigos leitores, mas eu particularmente fiquei imaginando um portador de Metrofobia assistindo a uma aula sobre Parnasianismo. Acho que o coitado se borraria nas calças. Se recitassem o Vaso Grego acho que ele batia as botas.