sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

[Curiosidades Literárias] Canteiros: música bela e polêmica

 


 A belíssima música Canteiros de "autoria" do cantor cearense Raimundo Fagner é uma das música mais polêmicas da história musical brasileira. Toda essa polêmica não tem haver com a canção em si, que como eu disse, é belíssima, mas com a autoria da mesma. 

A canção foi lançada em 1973, no álbum de estreia do cantor, e, na ocasião, não fez lá muito sucesso. Posteriormente, quando o cantor já havia estourado lá pelas bandas do sudeste, a música se tornou um grande sucesso. Na ocasião, foi aberto um processo criminal contra o cantor, pelas filhas da grande poetisa brasileira Cecília Meireles, por supostamente ter plagiado o poema Marcha, de autoria da mesma.

Em 1979, durante uma audiência, ao ser interrogado no dia pelo Juiz Jaime Boente, na 16a. Vara Criminal, Fagner afirmou que ''sem tirar a beleza dos versos, procurou fazer uma adaptação à música'', reconhecendo o uso indevido do poema Marcha, de Cecília Meireles, na composição Canteiros. O próprio cantor, antes mesmo de ser acusado de plágio já tinha dividido a parceria da letra com Cecília Meireles e inclusive divulgando-a em release de show, em 1977.

Contudo, apesar deste fato, o processo continuou a se desenrolar, e em 1983, um jornal de circulação nacional destacou em letras garrafais: ''Caso Fagner: filhas de Cecília Meireles ganham na Justiça''. O título da matéria se referia ao fato de as herdeiras terem conseguido condenar as gravadoras Polygram, Polystar, Polifar, as Edições Saturno e o cantor a pagar uma multa de Cr$ 101 mil cruzeiros por violação de direitos autorais.

A confusão envolvendo o cantor  e as herdeiras de Cecília Meireles somente chegou ao fim em 1999, quando a gravadora Sony Music fez um acordo com elas para a regravação da música, o que aconteceu em janeiro de 2000, em Fortaleza, no primeiro registro ao vivo das músicas do compositor cearense.  

Na opnião deste subscritor, a confusão foi desnecessária, o próprio Fagner confirmou que se inspirou na obra da Cecília, de forma que, ao meu ver, não houve nenhuma ofensa a memória da grande poetisa. Pelo contrário, a belíssima versão feita pelo Fagner elevou ainda mais o nome de Cecília Meireles. Além disso, não acho que o Fagner seja um grande "plagiador" como muitos afirmam, ele somente se inspirou em uma grande obra, como muitos artistas já fizeram antes e ainda irão fazer.

Abaixo segue a letra da Canteiros e o poema a marcha:  

 Fagner - Canteiros 

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade

Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem
me faz sentir alegria

Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.

 

Cecília Meireles - Marcha

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.

Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.

Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.

Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade. 

Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.


Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

[Curiosidade Literárias] Ada Lovelace



Segunda feira, dia 10 de Dezembro, o Google prestou uma homenagem a Ada Lovelace pelos seus 197 anos de nascimento. Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história, tendo sido a pioneira nas pesquisas sobre aquilo que viria a se transformar em programação de computadores. O que pouca gente sabe é que ela era a única filha (legítima) do poeta inglês Lord Byron, o mais influente do romantismo.

domingo, 21 de outubro de 2012

[Notícias Literárias] Briga na justiça pode trazer a público milhares de páginas escritas por Franz Kafka

 Milhares de manuscritos de Franz Kafka (1883-1924), autor imprescindível do século 20, poderão ser conhecidos pela primeira vez após uma recente decisão judicial israelense que segue um longo caminho de fugas, paixões, heranças, promessas, segredos e cofres ocultos.

Assim que for executada a sentença ditada no fim de semana passado pelo Tribunal de Família do Distrito de Tel Aviv, o legado do amigo íntimo de Kafka - o escritor e compositor judeu Max Brod - será em breve transferido de mãos privadas para a Biblioteca Nacional de Israel, onde estará acessível para pesquisadores do mundo todo.

Porém, a execução pode se prolongar durante anos se os até agora proprietários do tesouro literário resolverem apelar a uma corte superior, como seus advogados advertiram que farão.

O autor judeu nascido em Praga publicou poucos de seus trabalhos em vida, mas, anos antes de morrer, entregou seus textos, cartas, anotações e esboços a seu amigo Brod, não sem antes fazê-lo prometer que os queimaria após sua morte.

Felizmente, para os amantes da leitura e para dezenas de autores influenciados por Kafka, como Albert Camus e Jorge Luis Borges, Brod não cumpriu sua promessa e publicou o que rapidamente se transformaram em obras-primas da literatura, como O Processo e A Metamorfose.

Fugindo de Praga por conta do avanço dos nazistas, Brod emigrou em 1939 para a Palestina sob protetorado britânico e, antes de morrer em 1968, entregou os manuscritos de Kafka e milhares de documentos e correspondências à sua secretária e amante, Esther Hoffe.

Em seu testamento, pediu que com a morte de Esther, os papéis fossem levados a um arquivo público "em Israel ou no exterior".

Hoffe morreu faz cinco anos com 102 anos de idade, o que gerou uma batalha judicial entre as autoridades culturais israelenses e suas duas filhas, Eva Hoffe e Ruth Wiesler (falecida há poucos meses).

"Brod lhe entregou o legado só para que o tivesse em vida, suas filhas não podiam herdá-lo", explicou à Agência Efe o professor Hagai Ben Shamai, diretor acadêmico da Biblioteca Nacional de Israel, que considera que joias literárias dessa relevância "não podem permanecer em domínio privado".

Para ele, o fato de Brod trazer os documentos para Israel e de que os dois amigos eram judeus é uma clara prova de que pertencem ao público israelense e que devem ficar no país.

Há dois anos, outra sentença judicial israelense obrigou às irmãs a abrir cinco cofres de um banco em Tel Aviv e outro em Zurique (Suíça), que guardavam milhares de páginas.

Além do material que foi classificado então, os analistas desconhecem que outros documentos podem estar nas mãos das famílias Hoffe e Wiesler.

Alguns especialistas acham que pode haver mais cofres ocultos e mantêm a esperança de que exista alguma obra inédita no enorme legado de Kafka.

Eva Hoffe nunca permitiu às autoridades entrar em seu apartamento, onde vive "com 50 gatos e cinco cachorros que convivem com Kafka", disse à Efe o advogado da Biblioteca Nacional, Meir Heller.

Shamai acredita que no legado de Brod "não existe nenhum trabalho de Kafka que não tenha sido publicado antes", embora admitisse não saber com certeza "o que exatamente há nessa casa".

Uma vez recolhido, restaurado, estudado e classificado, o arquivo de Brod, explica, será "a joia" da Biblioteca Nacional.

Durante os cinco anos de luta pelos valiosos documentos, as irmãs Hoffe contaram com o apoio do Arquivo de Literatura Alemã da cidade de Marbach, que no passado comprou de Esther Hoffe vários manuscritos, entre eles o original de O Processo.

Heller garantiu à Efe que seu próximo passo será reivindicar ao arquivo alemão os documentos, cuja venda considera ilegítima.

"Os alemães acham que os escritos fazem parte da cultura alemã, por estarem em idioma alemão, mas nós consideramos que são parte da cultura judaica e que devem permanecer no Estado judeu", concluiu Shamai.


sábado, 8 de setembro de 2012

Como surgiu a literatura de cordel

 
De tanto ouvir Roberto Carlos mandar tudo para o inferno, nos versos da canção que dominava as rádios no fim dos anos 1960, o poeta Enéias Tavares dos Santos decidiu que o "rei" havia feito por merecer uma resposta - e do tinhoso em pessoa. Escreveu então o folheto de cordel Carta de Satanás a Roberto Carlos, em que o diabo se dirigia queixoso ao cantor, diretamente da "corte das trevas".

Ao reunir realidade e ficção, sátira e bom humor, a conversa franca entre Satanás e seu "grande amigo Roberto" tornou-se um dos maiores sucessos da literatura popular em versos brasileira. Rendeu incontáveis reimpressões e inspirou dezenas de folhetos de outros cordelistas, como Resposta de Roberto Carlos a Satanás, de Manuel d’Almeida Filho, e A Mulher que Rasgou o Travesseiro e Mordeu o Marido Sonhando com Roberto Carlos, de Apolônio Alves dos Santos.

Além da sorte, Enéias Tavares usou a seu favor a astúcia dos grandes cordelistas: conjugou a crendice popular (centrada na figura do diabo) à modernidade do novo ídolo, que estampava capas de revistas e alavancava audiência na televisão ao embalo do iê-iê-iê. O autor soube interpretar um momento de sua época, na mesma toada em que há mais de um século a literatura de cordel retoma tradições e constrói, em forma de poesia, crônicas da sociedade e da política brasileiras.

Poesia no barbante

Normalmente impresso em livretos de oito, 16 ou 32 páginas, com dimensões que não costumam ultrapassar as da palma da mão, o cordel pode ser encontrado sobretudo no Nordeste, em feiras de grandes capitais (como a de São Cristóvão, no Rio de Janeiro) e em lojas especializadas em produtos nordestinos.

Diferentemente de outras formas de literatura, o cordel é derivado da tradição oral. Isto é, surge da fala comum das pessoas, e também das histórias como contadas por elas, e não como fixadas no papel. "Onde quer que existam populações que não sabem ler nem escrever, existirá poesia oral, conto oral, narrativa oral, porque as pessoas não acham que o analfabetismo pode impedi-las de praticar a poesia e a narrativa. A literatura nasceu oral e foi assim durante milênios. Quando a Ilíada e a Odisseia foram transpostas pela primeira vez para o papel, já tinham séculos de idade", afirma o escritor Braulio Tavares.

A origem dos cordéis são as cantigas dos trovadores medievais, que comentavam as notícias da época usando versos, que eles próprios cantavam, frequentemente de forma cômica. "Por volta do século 16, ela era praticada na península Ibérica por meio dos trovadores, que recitavam louvações e galanteios para agradar aos poderosos", diz Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Com o tempo, tais artistas começaram a registrar suas falas em folhas soltas, conhecidas em Portugal como "volantes", e prendê-las em torno do corpo em barbantes para que as recitassem e, ao mesmo tempo, garantissem as mãos livres para os movimentos.

O verbete "cordel" apareceu apenas em 1881, registrado no dicionário português Caldas Aulete. Era sinônimo de publicação de baixo valor e prestígio, como as que na época eram vendidas penduradas em cordões na porta das livrarias - esses "varais" de literatura logo caíram em desuso, mas o nome prevaleceu. A tradição chegou ao Nordeste do Brasil com os colonizadores portugueses e, ao longo dos séculos, adquiriu características próprias. A forma definitiva, com os livretos, têm pouco mais de 100 anos. Tudo graças a algumas prensas velhas de jornal.

Improviso feliz

As honras de "pai" da literatura de cordel brasileira cabem ao paraibano Leandro Gomes de Barros, que começou a imprimir livretos e alcançou o mérito, digno de poucos poetas, populares ou não, de sustentar a família apenas com os dividendos das centenas de títulos lançados.

Na virada do século 20, as redações de jornal e as casas tipográficas eram modernizadas: trocavam a composição manual, em que cada palavra era montada na página, letra por letra, por máquinas de linotipo, que aceleravam a impressão ao usar linhas completas de uma só vez.

Assim, o maquinário obsoleto foi descartado por valores ínfimos, para a alegria dos entusiastas do cordel. "Isso fez com que os versos dos poetas populares nordestinos, que até então eram copiados a mão e passados adiante, pudessem ser transformados em produto industrial e comercial, mesmo que em escala modesta", escreve Braulio Tavares em Contando Histórias em Versos - Poesia e Romanceiro Popular no Brasil. Um dos primeiros cordeis de sucesso foi A Guerra de Canudos, em que o conflito de 1896 e 1897, opondo Antônio Conselheiro ao Exército brasileiro, foi retratado em versos por João Melquíades Ferreira da Silva, que fora soldado naquelas batalhas e se tornaria um grande nome da primeira geração de cordelistas brasileiros.

A partir da atuação de Leandro Gomes de Barros, surgiram poetas-editores que escreviam e imprimiam seus próprios folhetos, quando não adquiriam também os direitos sobre as obras de terceiros. Um dos principais empresários do setor foi João Martins de Ataíde, que em 1921 obteve licença para republicar as histórias de Barros, inicialmente apresentando-se nos livretos como editor e, num segundo momento, como o próprio autor.

Conforme o cordel se popularizou, as evoluções gráficas vieram pelas mãos dos artistas das gerações seguintes: as capas com textos meramente decorativos aos poucos foram substituídas por imagens de cartão-postal e de estrelas de Hollywood, mais atrativas.

Até que, nos anos 1950, o folheto alcançasse a sua cara definitiva nos desenhos "rústicos" da xilogravura.

Versão extraoficial


No último século, o teor da literatura de cordel jamais parou de se desenvolver. Os versos não abandonaram o tom matuto, o diálogo do sertanejo com suas crenças, suas percepções e seus dilemas cotidianos, embora ao longo das décadas a realidade do povo nordestino mudasse e muitos autores e leitores partissem, em ondas migratórias, para o centro-sul do país. "O cordel se revelou uma fonte de ‘história não oficial’ do século 20, narrada pelos poetas do Nordeste", diz Mark J. Curran, professor da Universidade do Estado do Arizona e autor de livros como Retrato do Brasil em Cordel.

Segundo o pesquisador americano, os folhetos cumpriram o papel de jornal e novela do povo sertanejo, exerceram a função de ao mesmo tempo informar e entreter, em muitos momentos integrando à vida nacional populações que ainda não haviam sido atendidas pelos serviços tradicionais de comunicação. E é por isso que os mais diferentes episódios e personagens foram transportados para a crônica cordeliana, dos desastres naturais aos embates ideológicos, de figuras como Getúlio Vargas, Lampião e Padre Cícero a Roberto Carlos.

Atualmente, pesquisadores concordam que o gênero se fortalece pelas facilidades de impressão e distribuição dos exemplares, somadas ao poder de divulgação da internet.
E isso sem falar no prestígio que escritores como Jorge Amado, João Guimarães Rosa e Ariano Suassuna conferiram (e ainda conferem) à tradição, por terem emprestado da literatura de cordel inspiração para seus universos criativos.

So sertão a Sorbonne

Gênero virou tema da academia


Entre as principais características da literatura de cordel brasileira estão a imensa variedade de temas abordados e a produção intensa - Joseph Maria Luyten, holandês radicado no Brasil, foi um dos poucos pesquisadores que se arriscaram a fazer uma estimativa. Durante sua trajetória acadêmica, calculou que os cordelistas nacionais teriam publicado entre 30 e 40 mil livretos e chegou a falar em 100 mil títulos. O volume de folhetos foi suficiente para que, nos anos 1970, o brasilianista Raymond Cantel considerasse nosso cordel "o mais importante, no sentido quantitativo, entre as literaturas populares do mundo". Autoridade internacional no tema, Cantel aterrissou no país nos anos 1950 para pesquisas de campo, tornou-se um dedicado colecionador das histórias e introduziu seu estudo na Universidade de Sorbonne, em Paris.

 

Glossário

 
Acontecido: folhetos de não-ficção em que o cordelista reporta eventos reais - fatos de âmbito local, nacional ou internacional.

Folheteiro: intérprete, sujeito que canta os cordéis nas feiras e praças com o intuito de atrair público e estimular a venda.

Peleja: também conhecida por desafio, é o duelo poético oral entre cordelistas, eventualmente reproduzido em folhetos.

Romance: cordel tradicional que narra disputas entre o bem e o mal em anedotas, contos de fadas, causos de amor e aventura.

Sextilha: consagrada entre os poetas nacionais, é a estrofe de seis versos com sete sílabas (o segundo, o quarto e o sexto versos rimam entre si).

Xilogravura: imagem que ilustra a capa dos livretos brasileiros, obtida do relevo da madeira talhada.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A verdadeira história por trás do livro As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

Único sobrevivente de um naufrágio, o médico Lemuel Gulliver consegue alcançar uma praia desconhecida. Exausto, desaba e adormece. Ao acordar, se vê amarrado até os cabelos ao chão e é surpreendido por um homenzinho de menos de 16 cm que, do alto de seu queixo, empunha um arco e flecha. Logo, está na mira de dezenas, centenas de criaturinhas nervosas. O primeiro encontro entre o cirurgião aventureiro e os habitantes de Lilipute é mais do que conhecido. Mas suas viagens o levarão ainda a outras terras tão ou mais estranhas, numa saga que se tornou um texto essencial da literatura infanto-juvenil. Antes de seguir adiante, porém, é bom corrigir esse que é um dos maiores equívocos sobre o clássico do irlandês Jonathan Swift: rabugento convicto, dizia não suportar as crianças. Não queria, portanto, escrever para elas. Em carta ao amigo e poeta Alexander Pope, afirmou que pretendia com a obra agredir o mundo, e não diverti-lo.


Ao publicar o livro, em 1726, sob o título Viagens em Diversos Países Remotos do Mundo em Quatro Partes, por Lemuel Gulliver, a Princípio Cirurgião e, Depois, Capitão de Vários Navios, queria, sim, por meio da sátira e ironia afiadas, criar um retrato da natureza humana e atacar sua mesquinhez. Na voz do médico (a quem faltavam pacientes e sobravam vontade de viajar e desânimo com a vida londrina), Swift faz uma dura crítica a formas de pensar e à organização de países, religiões e grupos sociais. O tom fabulesco e a prosa deliciosa, porém, garantiram fãs de todas as idades e o sucesso desde a primeira edição.

Na primeira escala em Lilipute (As Viagens se divide em quatro livros), o aventureiro compartilha suas impressões sobre o povo minúsculo e feroz, que se opõe em dois partidos e resolve suas divergências em disputas. A etapa seguinte leva Gulliver à terra de Brobdingnag, onde ele se vê na situação inversa, numa terra de gigantes 12 vezes maiores que ele. Vivem aparentemente em paz - governados por reis contrários à violência -, mas imersos na soberba. Na terceira parada, o médico alcança a ilha flutuante de Laputa, onde muito se pensa e pouco se realiza.

Sua última viagem o conduz ao país dos houyhnhnms - cavalos inteligentes e virtuosos que convivem com os rudes, grosseiros e desleixados yahoos, seres humanos usados como serviçais, na terra mais exemplar encontrada por Gulliver. A rota completa incluiu outros países de nomes estranhos (como Luggnagg e Glubbdubdrib) e até o Japão, onde o cirurgião explica aos habitantes e líderes locais como as coisas funcionam na Europa - sobretudo na Inglaterra.

A forma de contar esse enredo, cuja veracidade é sempre destacada pelo narrador, acaba por ser uma paródia ao estilo literário em alta na época: os relatos de viagem. O inglês Daniel Defoe publicara em 1719 Aventuras de Robinson Crusoé com grande sucesso. "A Inglaterra ainda vivia um processo de expansão marítima e novas descobertas. Destacava-se o exotismo, as diferenças entre os britânicos e os nativos dessas terras", diz Sandra Vasconcelos, professora de literatura da USP. "Swift usa esse aparato ficcional, então muito popular, para atingir outro objetivo: a sátira, que também tinha forte presença na literatura inglesa e nos trabalhos do autor".

Politicamente incorreto

Se Defoe (com a superação do náufrago Crusoé e outros textos) transborda otimismo, o colega irlandês é bem mais cético em relação às habilidades humanas. "Matem todas as crianças da Irlanda", sugeriu Swift no texto de 1729 Uma Modesta Proposta - Para Impedir que os Filhos das Pessoas Pobres da Irlanda Sejam um Fardo para os seus Progenitores ou para o País, e para Torná-los Proveitosos ao Interesse Público. Foi impulsionado, mais uma vez, pelo inconformismo em relação à "burrice" do homem civilizado, principalmente com a política inglesa, responsável pela colonização, que deixara irlandeses agora colhendo as consequências da miséria, falta de comida e trabalho, imigrando para os Estados Unidos. Fiel ao próprio estilo, o autor recomendava aos ingleses que garantissem a amamentação dos bebês até o primeiro ano de vida, de forma que, gordinhos, fossem servidos como aperitivo no jantar. Seria melhor opção do que deixar que "virassem ladrões" por falta de trabalho. Para impedir a extinção dos irlandeses, ele sugere que 20 mil crianças fossem reservadas para a procriação no futuro. Para o escritor francês André Breton, um dos fundadores do movimento surrealista, no século 20, Swift foi precursor do humor negro na literatura.

Jonathan Swift nasceu em Dublin, em 1667, filho de uma inglesa radicada na Irlanda que ficou viúva antes de dar à luz. Abigail Erick custeou os estudos do filho com a ajuda dos cunhados. Ele se formou bacharel em artes e foi morar em Londres, onde tornou-se secretário do diplomata sir William Temple, parente distante de sua mãe. Com o apoio dele, Swift fez o mestrado em Oxford e, ordenado padre em 1695, foi indicado cônego da igreja anglicana em Kilroot, Irlanda.

Em meados do século 17, a política inglesa estava dividida entre dois grandes grupos: os whigs (liberais, que resistiam à ascensão de um rei católico) e os tories (conservadores e defensores do direito divino ao trono). Em 1685, o católico James II foi coroado. Sob forte pressão, acaba destituído pouco depois pela filha protestante e pelo genro Guilherme III. Essa disputa divide também os intelectuais. Swift costumava ser identificado com os whigs, mas sob o governo da rainha Ana se aproxima dos tories. O autor começou escrevendo poemas. Só no início do século 18, dedica-se à prosa satírica, assinando suas obras, em geral, como Isaac Bickerstaff. Apesar de ser associado a um ou outro partido, ele se dizia contrário a várias características da prática política e se revelava cético sobre a sociedade setecentista. "No fim do século 17, o poder real deixa de ser absoluto na Inglaterra, que passa a ser uma monarquia constitucional de parlamento forte. Swift explora isso nas Viagens, mas não toma partido", diz Sandra.

Rato na toca

Ele acaba pagando um preço pelos textos irônicos. Em 1713, sob um governo tory, perde um importante cargo: em vez de conseguir a Sé de Hereford, na Inglaterra, é indicado como deão da Catedral de São Patrício, em Dublin. Swift ofende-se com a nomeação, mas crê que o melhor a fazer é retornar à Irlanda, onde diz se sentir como um "rato entocado".

Por mais que tivesse sua própria visão política - sob forte influência do racionalismo e da moral anglicana conservadora -, ao escrever sua maior obra preferiu recorrer a terras fantasiosas, comparando as atitudes de seus habitantes com a sociedade europeia e a política inglesa. Gulliver aprende sobre cada lugar por onde passa, mas no cenário mais "evoluído" que encontra (com os cavalos virtuosos) acaba sendo renegado, pois se parece com a casta inferior, a dos humanos. Ele então abandona os mares e retoma sua vida solitária.

Os anos derradeiros de Swift também foram de reclusão. Seguiu escrevendo ensaios satíricos. Estava convencido de que a estupidez humana estava por trás de todos os males sociais. Por causa disso, chegou a desejar a loucura, que o ajudaria a "esquecer a idiotice". Em 1736, ironicamente, adoece, fica surdo e é diagnosticado como louco. Hoje se entende que ele tenha sofrido de Alzheimer ou da síndrome de Ménière, que afeta o equilíbrio e a audição. Internado num asilo, para o qual doaria quase toda a sua herança, serviu de atração para curiosos (devido à sua doença, e não à sua obra). Foi sua última viagem. Morreu em 1745.

Novos mundos

Os principais destinos de Gulliver
Lilipute

 

Os liliputianos são 12 vezes menores que os humanos. Agressivos, estão sempre às voltas com conflitos e lutam contra a ilha vizinha, Blefescu. Gulliver ajuda Lilipute na guerra, mas seus pontos de vista causam revolta. É condenado à cegueira, porém foge antes da punição. O livro I é comparado ao racha entre tories e whigs.

Brobdingnag

 

Os gigantes que habitam o país parecem repugnantes para Gulliver. Após servir de brinquedo e atração para os nativos, tem longas conversas com o rei e o acha ignorante. Entretanto, chega a ter vontade de viver naquela terra pacífica, de governo racional e organização simples, retratada no livro II.

Laputa

 

Numa crítica à nova ciência da época, Gulliver chega à ilha flutuante, onde o conhecimento se concentra na teoria e não chega à prática. Os sábios são incapazes de se organizar, resolver questões do cotidiano ou desfrutar de prazeres e distrações comuns. A academia local é uma referência à Royal Society, fundada em 1660.

Houyhnhnm




Os cavalos inteligentes e virtuosos de Houyhnhnm convivem com os rudes, grosseiros e desleixados yahoos, seres humanos usados como serviçais, na terra mais exemplar encontrada por Gulliver

terça-feira, 12 de junho de 2012

Amigo de Gabriel García Márquez diz que escritor perdeu a memória

O jornalista colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, amigo próximo de Gabriel García Márquez, afirmou ao portal "Kien & Ke" que o escritor está perdendo a memória.

Mendoza --autor de "Cheiro de Goiaba", que reúne recordações de Márquez-- deu a entrevista após conversas com a mulher do Nobel de Literatura, Mercedes Bacha. De acordo com o jornalista, o escritor não reconhece mais as pessoas.
"No dia em que ele completou 85 anos (6 de março), liguei para dar parabéns, mas quem falou comigo foi Mercedes. Ela preferiu assim porque ele não se lembrava de mim", 

O britânico Gerard Martin, autor da biografia oficial de Marquéz --"Uma vida"--, já havia comentado o problema de memória em um livro sobre o escritor. Mendonza também contou que o filho do Márquez, Rodrigo --que é seu afilhado--, revelou a ele que o pai precisa ver as pessoas "porque senão, pela voz, não sabe quem está falando".

Na entrevista, Mendoza acrescentou que, na última conversa que teve com o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, o escritor teve dificuldades em recordar episódios e repete as mesmas informações repetidas vezes.

"Nas últimas vezes que conversamos pessoalmente, na Cidade do México, ele repetiu várias vezes: 'Como anda você? O que tem feito? Quando volta de Paris'? Muitos amigos comuns com quem falei sobre o assunto disseram que com eles aconteceu a mesma coisa. Gabo fez as mesmas perguntas. 

Existe a suspeita de que ele tenha algumas fórmulas. Se não reconhece alguém, não pergunta 'quem é você'?. Prefere fazer perguntas genéricas. Dói muito vê-lo assim. Gabo sempre foi um grande amigo", disse Plinio Apuleyo.

O jornalista afirmou que o estado de Marquéz preocupa porque tanto a mãe do escritor quanto um de seus irmãos morreram de mal de alzheimer.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Escritor de A Guerra dos Mundos defendeu a eugenia


O inglês H. G. Wells (1866-1946) ficou famoso com A Guerra dos Mundos e A Máquina do Tempo, dois clássicos da ficção científica. Mas, quando imaginava o futuro olhando para o seu redor, o resultado soava assustador. Em dois de seus livros, Anticipations (1901) e The Open Conspiracy (1928), ele trata da Nova República, uma visão notoriamente racista sobre a humanidade.

"De que modo a Nova República tratará as raças inferiores? Como ela lidará com os negros? E com os judeus? Com esses enxames de pessoas de pele negra, marrom, branco-escura e amarela, que não se ajustam aos novos requisitos de eficiência? Ora, o mundo não é uma instituição de caridade, e eu assumo que não há lugar para eles", registrou o escritor, exercitando uma faceta pouco conhecida: a de defensor da eugenia, o suposto aprimoramento genético da espécie humana. Segundo Robert Schnakenberg, no livro A Vida Secreta dos Grandes Autores, "sua eterna fascinação pela eugenia representou o lado sombrio de sua visão futurista, tingida por um pouco mais que uma simples mancha de ódio pelos judeus".

No início do século passado, a defesa da eugenia não era uma prática condenada. Ela foi desacreditada quando os nazistas se apropriaram de seus princípios da forma como se sabe. "As declarações de Wells sobre raças inferiores se aproximam perigosamente dos esforços de Hitler para criar uma raça ariana", escreveu Martin Gardner na introdução da edição de Anticipations, em 1999. Curiosamente, Wells era socialista e inimigo dos nazistas.
 
Por aqui, Monteiro Lobato flertou com a eugenia em seu livro O Presidente Negro (que fala de um negro presidente dos EUA, que ironia). "Acontecem coisas tremendas, mas vence por fim a inteligência do branco", escreveu o criador de Emília ao amigo Godofredo Rangel.
 

sábado, 12 de maio de 2012

[Curiosidades Literárias] Mark Twain e o Cometa


O escritor norte americano Mark Twain nasceu em 1835, durante uma das passagens do Cometa Halley pela Terra, e, curiosamente, morreu em 21 de abril de 1910, pouco depois astro retornar ao nosso Planeta, quando o brilho da cauda do cometa ainda era visível no céu. O próprio escritor parece ter previsto isso em 1909, quando disse: "Eu vim com o Cometa Halley, em 1835. O Todo-Poderoso deve ter dito, certamente: “Aqui estão essas duas aberrações inexplicáveis; vieram juntas, devem partir juntas".

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Livro de Hitler será publicado pela 1ª vez desde a Segunda Guerra

O livro de Adolf Hitler, "Mein Kampf", será publicado pela primeira vez desde a guerra na Alemanha, em uma versão comentada prevista para 2015, anunciou nesta terça-feira o Estado regional da Baviera, que detém os direitos, segundo a agência alemã DPA.

O ministro das Finanças da Baviera, Markus Söder, anunciou que a decisão foi tomada depois de muitas discussões, principalmente com juristas, a fim de desmistificar esta obra que mistura elementos autobiográficos e fundamentos da ideologia nazista. 


"Queremos mostrar claramente a que ponto este livro, com consequências catastróficas, é absurdo", destacou sobre a obra que serviu de base à política do 3º Reich.

O objetivo é também tornar "pouco atraentes, do ponto de vista comercial", as futuras publicações.
Até 2015, o Estado regional da Baviera detém os direitos de "Mein Kampf" ("Minha Luta"), redigido por Hitler durante sua prisão, em 1924, após uma tentativa de golpe de Estado.

A obra deve cair no domínio público no final de 2015, ou 70 anos após a morte de Hitler. A partir de 2016, será possível reproduzir o livro sem o consentimento do Estado bávaro, exceto nos casos "de incitação ao ódio racial", precisou Söder.

A Baviera tem bloqueado, até o momento, qualquer reedição integral ou parcial, para evitar uma exploração eventual do texto por grupos neonazistas.
POLÊMICA

No início de março, uma revista editada pela britânica Peter McGee, "Zeitungszeugen", quis republicar passagens controversas da obra, mas a Justiça alemã proibiu, considerando que o projeto serviria aos ideais do ditador.

A iniciativa de McGee foi motivo de várias reações, entre elas a do presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha Dieter Graumann, que informou não se opor com veemência ao projeto.

"Melhor seria que não fosse publicado mas, neste caso, é preciso que saia acompanhado de comentários pedagógicos por parte de historiadores", disse.

Dez milhões de exemplares em alemão foram editados até 1945, segundo o historiador Ian Kershaw.

A partir de 1936, o livro "Mein Kampf" era dado de presente de casamento pelo Estado aos casais alemães. 


segunda-feira, 9 de abril de 2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

[Referência Literária do Dia] Olivia Wilde


Olivia Wilde é uma atriz norte-americana mais conhecida do grande público pelo papel que fez na série House. A atriz, que na verdade se chama Olivia Jane Cockbur, adotou o nome artístico Wilde em razão do escritor irlandês Oscar Wilde. Trata-se de uma homenagem ao seu pai, que assim como o escritor, também é irlandês.

sexta-feira, 9 de março de 2012

[Curiosidades Literárias] Escritores mais conhecidos por seus pseudônimos

Você, leitor, por acaso já ouviu falar em Eric Blair, Charles Dodgson, Ricardo Basoalto, Samuel Clemens ou Henri-Marie Beyle? Não? Tem certeza? Talvez você já tenha até lido algum livro dessas pessoas. É que alguns escritores ficaram mais conhecidos por seus pseudônimos do que por seus próprios nomes, conforme veremos adiante:

1º - George Orwell

 

Pseudônimo: George Orwell
Nome Verdadeiro: Eric Arthur Blair

O autor dos clássicos livros 1984 e A Revolução dos Bichos chamava-se na verdade Eric Arthur Blair, e não George Orwell como ficou mundialmente conhecido. Curiosamente, o escritor foi enterrado com o seguinte epitáfio: “Here lies Eric Arthur Blair, born June 25, 1903, died January 21, 1950" ("Aqui jaz Eric Arthur Blair, nascido em 25 de Junho de 1903, falecido em 21 de Janeiro de 1950”), não sendo feita nenhuma alusão ao pseudônimo famoso.

- Lewis Carroll

Pseudônimo: Lewis Carroll
Nome Verdadeiro: Charles Lutwidge Dodgson

Lewis Carroll escreveu aquele que viria a ser tornar um dos livros favoritos de todo pseudointelectual/Cult: Alice no País das Maravilhas. Apesar de nunca ter escrito sobre mamilos, seu nome está costumeiramente envolto em polêmica, posto que pesam sobre o autor severas acusações de pedofilia. É que o mesmo tinha como “passatempo” desenhar ou fotografar meninas seminuas, com a permissão da mãe.

3º - Mark Twain


Pseudônimo: Mark Twain
Nome Verdadeiro: Samuel Langhorne Clemens

Mark Twain foi um escritor estadunidense autor dos clássicos livros As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn. Pouca gente sabe, mas, na verdade, ele se chamava Samuel Langhorne Clemens.

4º - Pablo Neruda


Pseudônimo: Pablo Neruda
Nome Verdadeiro: Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto

O poeta chileno resolveu adotar o pseudônimo Pablo Neruda em homenagem ao escritor checo Jan Nepomuk Neruda. Posteriormente, o escritor conseguiu na justiça a modificação de seu nome para o pseudônimo que usou durante toda a sua vida.

5º - Stendhal


Pseudônimo: Stendhal
Nome Verdadeiro: Henri-Marie Beyle

Stendhal foi o apenas um e o mais famoso dos pseudônimos usados pelo escritor francês Henri-Marie Beyle. Conhecido mundialmente pela obra O Vermelho e o Negro, o autor não gozou de muita popularidade em vida, somente sendo reconhecido – como ele próprio previra -, no início século XX.

6º - Ferreira Gullar


Pseudônimo: Ferreira Gullar
Nome Verdadeiro: José Ribamar Ferreira

Segundo o próprio autor: "Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Airton Dalass Coteg Sousa Ribeiro Dasciqunta Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome".

7 º - Miguel Torga


Pseudônimo: Miguel Torga
Nome Verdadeiro: Adolfo Correia da Rocha

Miguel Torga foi um dos maiores escritores portugueses do século passado. O pseudônimo famoso foi criado aos 27 anos. O “Miguel” é uma deferência aos escritores espanhóis Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. O “Torga”, por sua vez, é uma planta brava da montanha, que nasce sobre as rochas.

8º - Anne Rice


Pseudônimo: Anne Rice
Nome Verdadeiro: Howard Allen O'Brien

Anne Rice é uma escritora estadunidense famosa pelos seus livros sobre vampiros, como, por exemplo, as obras Entrevista com o Vampiro e A Rainha dos Condenados, ambos já adaptados para o cinema. A própria autora escolheu “Anne” como primeiro nome, ao entrar na escola. O “Rice” decorre do sobrenome do seu primeiro marido, o também escritor Stan Rice.

9º - George Sand


Pseudônimo: George Sand
Nome Verdadeiro: Amandine Aurore Lucile Dupin

George Sand foi uma escritora francesa, considerada por muitos como uma das precursoras do movimento feminista. O pseudônimo foi lhe dado pelo o escritor Jules Sandeau, um de seus inúmeros amantes.

10º - Voltaire


Pseudônimo: Voltaire
Nome Verdadeiro: François Marie Arouet

Voltaire foi um dos maiores pensadores iluministas. Passou a história pelas críticas que fez aos regimes absolutistas europeus, bem como pelas duras críticas a Igreja Católica. Um dos maiores críticos de toda história da Igreja Católica, o escritor, por ironia do destino (ou desejo de sua família) foi enterrado na Abadia de Scellieres. Após a Revolução Francesa, contudo, seu corpo foi levado para o Panteão de Paris, onde permanece até hoje.

terça-feira, 6 de março de 2012

[Referência Literária do Dia] Adjetivos Literários

As vezes, alguns escritores tem sua obra ligada de tal forma a certos temas da vida, que acabam por virar adjetivos. Pouco gente sabe, mas em nossa língua pátria podemos encontrar diversos adjetivos que estão intimamente ligados a obra de algum escritor.



O adjetivo Quixotesco, por exemplo, pode ser utilizado para qualificar uma pessoa como extremamente sonhadora, romântica, fora da realidade. O termo é uma alusão a obra Dom Quixote de La Mancha, do escritor espanhol Miguel de Cervantes. A obra narra as desaventuras de Dom Quixote, um pequeno fidalgo que perdeu a razão por muita leitura de romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis preferidos.



Por sua vez, o adjetivo Kafkiano é utilizado para descrever uma situação absurda, contrária ao bom senso, sem sentido. O termo é utilizado normalmente em um contexto burocrático, descrevendo situações surreais que somos obrigados a viver no mundo atual. O termo faz referência ao escritor checo Franz Kafka, principalmente a sua obra O Processo, na qual o personagem principal sofre um longo e angustiante processo judicial sem que lhe seja dito ao certo qual o seu crime.


Outro adjetivo com origem literária é o termo Orwelliano, que virou um sinônimo para estado totalitário, repressor, que não respeita os direitos humanos. O termo é uma alusão ao livro 1984, do escritor George Orwell. Na trama, somos apresentados a um mundo dominado por três grandes estados totalitários, que vivem uma guerra sem fim uns com os outros. Nesse mundo, onde as liberdades individuais foram suprimidas, as pessoas são vigiadas diariamente pelos membros do partido dominante, a informação é manipulada pelo governantes, de forma a melhor atender seus interesses (tipo a Rússia, o Irã e a Venezuela atualmente).


Bem mais conhecido do grande público, o termo Balzaquiana, utilizado para descrever mulheres que estão na casa dos 30 anos, teve origem no livro A Mulher de Trinta Anos, do escritor francês Honoré de Balzac. O livro narra a história Júlia d`Àiglemont, uma mulher que ao chegar aos trinta anos se ver em um casamento infeliz, apaixonando-se novamente por outro homem. No livro, Balzac tece uma vasta lista de comparações entre mulheres mais jovens, e, por consequência emocionalmente imaturas, e mulheres mais velhas e maduras, concluindo que, em todos os quesitos, a balzaquiana é superior. 
 

Finalmente, de longe o adjetivo literário mais conhecido, o termo Sádico tem origem no escritor francês Marquês de Sade, mais conhecido por suas obras de cunho erótico, que muitas vezes descreviam homens que sentiam prazer na dor dos demais.

segunda-feira, 5 de março de 2012

[Curiosidades Literárias] Fahrenheit 451



Já que mencionei o livro Fahrenheit 451 no tópico passado, vou falar uma curiosidade sobre ele. O livro, uma distopia escrita por Ray Bradbury, narra um futuro no qual os livros são proibidos, opiniões próprias são consideradas antissociais, e o pensamento crítico é suprimido. Na trama, os bombeiros não apagam incêndios, mas, sim, queimam livros e obras de arte. Em passagens surreais, o autor narra labaredas de fogos saindo das mangueiras em vez de água. 

O livro possui esse título, a propósito, porque Fahrenheit 451 é a temperatura na qual o papel pega fogo (antes de por esse título no livro, o autor consultou um bombeiro, mas jamais checou se a informação estava correta).

Outra curiosidade sobre a obra - que não é bem literária, mas também é interessante -, é que o livro foi adaptado para o cinema em 1966, em um filme dirigido pelo francês François Truffaut. Ao final, os créditos do filme não aparecem escritos na tela, mas falados (embora muitos críticos afirmem que isso é uma alusão ao fato dos livros serem proibidos na obra, o diretor nunca explicou a situação).

domingo, 26 de fevereiro de 2012

[Referência Literária do Dia] Equilibrium



Equilibrium é um filme ficção científica feito em 2002. O filme, estrelado pelo ator Christian “Língua Presa” Bale, conta a história de um estado totalitário, construído após uma 3ª Guerra Mundial, denominado de Líbria, controlado por um sujeito chamado de Pai, o qual só aparece para as pessoas por meio de telões espalhados pela cidade.

No filme, as pessoas são proibidas de terem emoções, já que as emoções seriam a causa de todos os problemas da humanidade. Para tanto, fazem uso de um droga chamada Prozium (palavra formada pela mistura de Prozac com Lithium. É sério), que regula as emoções humanas. Além disso, como forma de se evitar o aparecimento de qualquer tipo de emoção, existe um grupo de polícia especializado em queimar qualquer tipo de obra de arte, já que elas seriam capazes de nos fazer sentir emoções. Em suma, o enredo do filme é uma grande mistura dos livros 1984, do escritor George Orwell e Fahrenheit 451, escrito por Ray Bradbury.

Além dessas referências, existe uma outra bem legal no filme. Logo no início, o personagem do Christian Bale descobre que o seu parceiro, interpretado pelo ator Sean “Só sirvo para ser morto” Bean está sentido emoções, e por isso deve ser exterminado. Na cena de sua morte, o ator aparece lendo o belíssimo poema He Wishes for the Cloths of Heaven, do poeta irlandês William Butler Yeats:


Falando nesse poema, a banda curitibana Beijo aa Força fez, em português, uma versão musical dele que ficou muito boa. Vale muito a pena conferir:

 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

[Curiosidade Literárias] Tribunal belga diz que Tintim não infringiu lei de racismo

Este post é um complemento da belissíma reportagem da Revista Aventuras na História que utilizei no post passado. Assim, para uma melhor compreensão do assunto, o ideal é ler primeiro o post passado. Passemos agora a reportagem sobre o Tintim:

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Um tribunal belga rejeitou um pedido de proibição de um livro da era colonial sobre as aventuras no Congo do personagem de história em quadrinhos Tintim por infringir leis de racismo, mostraram documentos judiciais.

O tribunal de Bruxelas disse em primeira instância que não acreditava que a edição de 1946 de "Tintim no Congo" tinha a intenção de incitar ao ódio racial, um critério que é levado em conta ao decidir se algo infringiu as leis de racismo belgas. A decisão foi emitida na noite de sexta-feira.

"As Aventuras de Tintim", uma série de HQ criada pelo artista belga Georges Remi, que escrevia sob o pseudônimo de Hergé, obteve popularidade mundial renovada no ano passado depois que o diretor Steven Spielberg fez um filme animado sobre o menino jornalista intrépido e seu caõzinho branco Milu.


Tintim no Congo foi o segundo livro produzido por Hergé, e a trama mostrava as escapadas de Tintim na ex-colônia belga, incluindo encontros com traficantes de diamantes, caçadores e animais selvagens.Em 2007, o ativista congolês Bienvenu Mbutu Mondondo iniciou procedimentos legais para obter a proibição do livro, argumentando que ele retratava os africanos de forma racista. 
 
Mas o tribunal belga disse que o livro de 1946 foi criado em uma época em que ideias coloniais prevaleciam. Não há provas de que Hergé, que morreu em 1983, tenha tido a intenção de incitar ao racismo, disse.

"Está claro que nem a história, nem o fato de que foi posta à venda, tem o objetivo de... criar um ambiente humilhante, degradante, hostil ou intimidador", disse o tribunal em seu julgamento.

Mas o advogado de Mbutu Mondondo disse que apelaria. "O sr. Mbutu levará esse caso adiante o máximo que conseguir", disse o advogado Ahmed L'Hedim à Reuters. 

[Curiosidades Literárias] O lado obscuro de Tintim

Foi em meio à tensão da Europa do período entre-guerras que nasceu Tintim, o jovem jornalista belga que viaja o mundo acompanhado do cãozinho Milu. O garoto magro de topete loiro e raciocínio rápido foi o personagem mais bem-sucedido de Hergé (pseudônimo de Georges Remi). Agora, outro contador de histórias dos tempos modernos, o cineasta Steven Spielberg, decidiu recriar os quadrinhos de Hergé em As Aventuras de Tintim, com estreia prevista para janeiro no Brasil.

Nos 24 livros (um deles incompleto) lançados entre 1930 e 1986, Tintim retratou os conflitos do século 20 em passagens que, tanto hoje como na época, soavam politicamente incorretas. Em 5 décadas, Hergé colecionou processos, críticas, acusações e teve até de pedir desculpas pelas derrapadas de Tintim. As polêmicas continuaram após a morte do autor, em 1986, mas a série seguiu em alta e o filme reacende o interesse pelo personagem que ajudou a construir o retrato de um dos períodos mais turbulentos da história. As aventuras de Tintim começaram a ser publicadas quando Hergé virou editor do suplemento jovem do jornal Le Vingtième Siècle, de Bruxelas, na Bélgica. O quadrinista se baseou nos jornalistas mais famosos da época, enviados para cobrir grandes conflitos internacionais. Tintim trabalha para o próprio Le Petit Vingtième, como era chamado o suplemento, mas é o único jornalista do mundo que não parece preocupado com prazos ou com o envio de material para a redação.



Na sua primeira aparição, em 1929, ele viaja para a recém-fundada União Soviética. Na época com 22 anos, Hergé tinha ficado muito impressionado com um livro escrito pelo cônsul belga sobre as condições de trabalho no regime socialista e, por isso, optou pela URSS como destino. O país é retratado com grande exagero de estereótipos (ainda na 1ª página, Tintim diz ao chefe que enviará "cartões-postais, vodca e caviar", e Milu afirma ter ouvido falar que lá tem "pulgas" e "ratos"). Fica clara a postura anticomunista do autor. Mas, como o próprio Hergé comentou em entrevista a um programa de TV nos anos 1970, "Tintim no País dos Sovietes foi muito bem-recebido porque naquela época quase todo mundo era contra os bolcheviques".

Primeiras turbulências

Se a passagem pela URSS não trouxe grandes problemas, a 2ª viagem foi bem menos tranquila. Pelo menos para Hergé. Quando Tintim foi ao Congo, em 1931, o país africano ainda era uma colônia belga (a independência veio só em 1960) e os quadrinhos reproduziam a visão eurocentrista da época. Na 1ª versão do álbum, os congoleses falavam um francês primitivo e eram extremamente submissos. Em um dos trechos, Tintim substitui um professor em uma escola missionária e começa a aula apontando para um mapa da Europa: "Meus queridos amigos, hoje eu vou falar sobre o seu país: a Bélgica". Nas versões posteriores, o mapa foi substituído por um quadro negro, e a lição sobre a Bélgica por uma de matemática. Quando Hergé frequentava a escola (que ele odiava, por sinal), a suposta "condição inferior" dos negros ainda era ensinada como ciência pelos livros didáticos. Ele mesmo chegou a admitir em mais de uma oportunidade que o álbum retrata a visão ingênua da época.

Tiago Nogueira, editor da Companhia das Letras, que publica a série no Brasil, acha que o problema não é exclusivo desse livro: "Toda a série tem uma visão eurocentrista. É sempre a história do menino loiro desbravador que vai a países diferentes e leva conhecimento aos locais". Em 2007, um cidadão congolês pediu a um tribunal belga que Tintim no Congo fosse retirado do mercado. O processo ainda está correndo, e o resultado deve sair apenas em fevereiro do ano que vem. Mas até a ONG Peta, que defende os direitos dos animais, já se manifestou a favor de um boicote ao livro. Além de supostamente racista, Tintim também se mostra um grande fã de caçadas. Depois de atirar em veados (mata uma dúzia deles e diz que, "em todo caso, carne fresca é o que não vai faltar"), um jacaré e um elefante, mata e esfola um macaco para vestir sua pele. "Nós discutimos muito antes de publicar e, quando publicamos, optamos pela versão que já continha algumas modificações. Mas o fato é que é um clássico e representa a mentalidade de uma época", diz Nogueira.


Quando a Bélgica foi invadida pela Alemanha durante a 2ª Guerra, em 10 de maio de 1940, Hergé decidiu permanecer no país e passou a publicar as tirinhas de Tintim em um jornal que era controlado pelos nazistas. Daí para as acusações de que era simpatizante do regime alemão, foi um pulo. Mas a verdade é que ele próprio não se ajudou. Em A Estrela Misteriosa, álbum publicado justamente durante a ocupação, em 1942, duas personagens com características judaicas se perguntam se poderão dar calote em seus credores quando o fim do mundo é anunciado por um lunático (o trecho foi removido de edições posteriores). O grande vilão de A Estrela Misteriosa tinha um sobrenome judeu: Blumenstein. Hergé alegou que a escolha não tinha sido intencional e chegou a alterar o nome para Bohlwinkel. Infelizmente, só mais tarde alguém lembrou de avisar a Hergé que esse também era um sobrenome judeu. Com o fim da guerra, Hergé chegou a ser investigado pelo governo da Bélgica, mas foi inocentado. Ele ainda recebeu uma espécie de perdão público quando se uniu a um dos heróis da resistência belga, Raymond Leblanc, para a criação de uma revista sobre Tintim.

Simpatia pela China

A publicação de O Lótus Azul, 5º álbum da série, marcou uma virada na carreira de Hergé, como ele mesmo chegou a admitir em entrevistas: "Quando comecei, não tinha muita noção. Era só diversão para mim contar aquelas histórias". O Lótus Azul encerrou uma sequência de álbuns nos quais os países que serviam como cenário das narrativas eram retratados com base em estereótipos (depois dos russos comunistas e dos africanos abestalhados, Tintim ainda visitaria uma América ocupada quase somente por indígenas e mafiosos e uma Índia repleta de marajás). Hergé pareceu ter compreendido a dimensão do seu trabalho e pesquisou a fundo a cultura do país retratado - nesse caso, a China.


Depois de anunciar no final do 4º álbum, Os Cigarros do Faraó, que Tintim continuaria suas aventuras no Oriente, Hergé recebeu uma carta de um abade pedindo que pesquisasse sobre a história da China. Ele concordou, e o abade apresentou-o a Zhang Chongren, estudante chinês que passava uma temporada na Academia de Belas-Artes de Bruxelas. Os dois se entenderam tão bem que Chongren aparece como um dos persongens de O Lótus Azul: ele é Tchang, um garoto órfão que se torna amigo de Tintim depois de ser salvo por ele. Ainda durante a passagem pela China, Tintim visita uma casa de ópio e aparece chapado pela droga, uma versão mais branda da heroína. O álbum foi publicado em 1936, e as casas de ópio só foram fechadas pelo regime comunista de Mao Tsé-Tung, em 1949. Mas nem é preciso ir tão longe. Os detratores de Hergé condenam até a amizade de Tintim com o Capitão Haddock, um dos principais personagens da série. No começo, o capitão estava quase sempre bêbado e seria uma má influência para jovens leitores. O próprio Hergé acabou optando por transformá-lo com o tempo em um personagem de hábitos mais recatados. Até o que não aparece nas aventuras de Tintim causa polêmica.

Existe uma corrente que define Hergé como misógino, já que existe apenas uma personagem feminina que se destaca ao longo de todas as histórias: a espanhola Bianca Castafiore, uma soprano que adora cantar em momentos inapropriados. Hergé morreu em 1983, aos 75 anos. No processo movido na Bélgica pedindo o recolhimento de Tintim no Congo, quem luta a favor da obra é a editora francesa Casterman. No Brasil, a Companhia das Letras também defende a publicação do livro: "Não dá para ‘limpar’ uma obra que foi escrita quando a mentalidade era diferente da nossa. Se isso fosse levado adiante, teríamos de repensar toda a literatura", diz Nogueira. Se as editoras se mantêm fiéis mesmo às obras mais controversas de Hergé, o mesmo não pode ser dito do próprio autor (e nem mesmo de seus fãs). "Ele não reeditou Tintim no País dos Sovietes por muito tempo porque considerava esse um trabalho inferior", explica Simon Doyle, responsável por um dos maiores sites dedicados a Tintim no mundo todo, o Tintinologist.org. "Talvez o mesmo possa ser feito com Tintim no Congo. Posso compreender a situação das vítimas de racismo e tenho que questionar o valor do livro hoje", afirma Doyle.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

[Curiosidades Literárias] 15.000 livros para Abraham Lincoln


A adoração dos norte-americanos pelo ex-presidente Abraham Lincoln (1809-1865) é tanta que um instituto cultural de Washington resolveu homenageá-lo de uma forma inusitada neste fim de semana. Em comemoração aos 203 anos do nascimento do líder Republicano, completados em 12 de fevereiro, empilhou praticamente todos os livros que existem sobre a vida a obra do líder republicano.

Quem passou pelo Ford’s Theatre Center for Education and Leadership neste domingo se deparou com uma torre de 10 metros de altura, composta por nada menos do que 15.000 títulos. A pilha chegava até o terceiro andar da instituição.

Tudo isso em nome do presidente que aboliu a escravidão e conseguiu manter a unidade nacional durante a Guerra de Secessão. O local escolhido para celebrar o legado do mito não podia ser mais apropriado: o instituto cultural está no mesmo quarteirão da Petersen House – casa onde Abraham Lincoln foi assassinado – e do museu, em construção, dedicado a ele.