sábado, 28 de dezembro de 2013

[Notícias Literárias] Após decisão judicial, Sherlock Holmes passa a ser de domínio público nos EUA.


O personagem Sherlock Holmes e todo o universo fictício que ronda o número 221 B da Baker Street passaram a ser de domínio público nos Estados Unidos após decisão de um juiz federal no estado de Illinois (região centro-norte do país). Isso significa que quem quiser criar e publicar histórias nos EUA com o mítico detetive londrino, incluindo seu fiel escudeiro Watson e o vilão James Moriarty, não está obrigado a pagar os direitos autorais à família do criador, o escritor britânico Arthur Conan Doyle.

O juiz Rubén de Castillo determinou nesta semana que as obras de Conan Doyle publicadas antes de 1.º de janeiro de 1923 não estão protegidas pelo lei de direito autoral norte-americana. Apenas dez histórias posteriores à essa data estão protegidas. Segundo o entendimento de Castillo, todo o resto está livre.

Na ação, os herdeiros do escritor britânico sustentaram, sem sucesso, que o copywright se estende tanto às histórias quanto aos personagens. Todas as histórias de Holmes já estão em domínio público no Reino Unido.

O tema foi levado à justiça por Leslie Klinger, um editor que deseja publicar uma coleção de histórias originais de diversos autores inspiradas no detetive. No entanto, os herdeiros do escritor britânico ameaçaram proibir a publicação caso Klinger não pagasse os devidos royalties.

“Sherlock Holmes pertence ao mundo”, anunciou Klinger nesta sexta-feira (28/12) no site eletrônico Free Sherlock. “As pessoas querem celebrar Holmes e Watson. Agora podemos fazer isso sem medo”.

O personagem

A primeira história do detetive mais popular da literatura ocidental, “Um Estudo em Vermelho” foi lançada em 6 de janeiro de 1887. O personagem foi inspirado em um dos antigos professores de Conan Doyle em Edimburgo, na Escócia. Rapidamente, o estilo peculiar e os “casos impossíveis” resolvidos pelo detetive britânico deixariam leitores de todo o mundo apaixonados.

sábado, 3 de agosto de 2013

[Notícias Literárias] Dostoiévski é processado 131 anos após morte

 


Cento e trinta e um anos após sua morte, o escritor russo Fiódor Dostoiévski, um dos maiores nomes da história da literatura mundial, foi processado por incitar o desrespeito a um tribunal. As informações são de reportagem da agência de notícias estatal russa Ria Novasti publicada na quinta-feira (1º).

O processo começou após um morador da longínqua região de Kamchatka, no nordeste da Rússia, usar a palavra "idiota" para se referir a um oponente durante um julgamento, em 2011. Processado criminalmente por desrespeito ao tribunal, o homem alegou em sua defesa que a "perniciosa influência" da leitura de "O Idiota", uma das obras-primas de Dostoiévski, publicada em 1869, o havia levado a ofender o adversário, e que o escritor deveria ser investigado por incitá-lo a desrespeitar o tribunal.

Após nove meses de supostas investigações sobre a alegação do homem, o processo foi finalmente arquivado no início deste ano pelo fato de o escritor estar morto desde 1881. Autoridades judiciais russas são obrigadas a processar todos os requerimentos feitos ao Judiciário, independentemente de parecerem absurdos, segundo uma porta-voz. O crime de desrespeito a tribunal prevê pena de até seis meses de detenção ou multa de 200 mil rublos (cerca de R$ 14 mil) na Rússia.

Inocentado neste processo, Dostoiévski passou grande parte da vida tendo problemas com a Justiça. Em 1849, o escritor foi condenado à morte junto com outras 19 pessoas por distribuir panfletos contra o governo, mas a sentença foi cancelada na última hora.  Caso tivesse morrido na ocasião, ele não teria escrito seus principais romances, como "Crime e Castigo", "Irmãos Karamazov" e o livro que teria incitado o desrespeito a tribunal praticado pelo morador de Kamchatka.

sábado, 4 de maio de 2013

[Notícias Literária] Nos EUA, padres querem tirar 'Anne Frank' da escola

O livro Diário de Anne Frank é leitura obrigatória nas escolas do estado americano de Michigan, já que é documento legítimo de um triste capítulo da história mundial, em que 6 milhões de judeus foram assassinados em campos de concentração nazistas. Mas um grupo de padres de Michigan alegou que o conteúdo do livro é pornográfico e, por isso, impróprio para menores de 13 anos, justamente aqueles que mais poderiam se identificar com Anne. Os trechos considerados inadequados se referem aos relatos sobre as descobertas da sexualidade da menina judia, que também conta em seu diário como a família se escondia das garras do nazismo em Amsterdã.

 Essas partes haviam sido suprimidas pelo pai de Anne, Otto Frank, do original lançado em 1947. A versão na íntegra foi publicada há dez anos. O livro reúne as memórias da menina judia que passou anos confinada com sua família em lugares secretos para se esconder dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. A publicação é um dos documentos mais importantes sobre esse período histórico por ter dado um rosto ao horror do Holocausto.

Anne morreu aos 15 anos no campo de concentração alemão Bergen-Belsen, em 1945. Seu pai foi o único sobrevivente da família e, em homenagem à filha, publicou seu diário quando conseguiu voltar à Holanda, onde morava com a mulher e as duas filhas, em 1947. 

sábado, 6 de abril de 2013

[Curiosidades Literárias] Conheça a história dramática da família que inspirou Peter Pan

 

A peça Peter and Alice conta a história do encontro fictício entre Alice Hargreaves, inglesa que teria inspirado Lewis Carroll a escrever Alice no País das Maravilhas, e Peter Llewelyn Davies, que teria inspirado a criação de Peter Pan segundo alguns rumores, embora o próprio Barrie diga que na realidade sua fonte de inspiração foram cinco irmãos.
Na narrativa fictícia de Barrie - lançada em 1904 como uma peça de teatro que obteve sucesso imediato - Peter Pan faz amizade com os irmãos Wendy, John e Michael e os leva para um passeio na Terra do Nunca - um mundo mágico povoado por piratas, fadas, sereias e índios.

Na vida real, a história que levaria a criação do personagem Peter Pan começou em 1897, quando Barrie tinha 37 anos e já era um escritor casado e bem sucedido.

Segundo seu biógrafo, Andrew Birkin, o autor encontrou três irmãos da família Llewelyn Davies passeando pelos Jardins de Kensington e se encantou com eles. "Na época, Barrie era o escritor mais rico do país, mas não tinha filhos", disse Birkin à BBC. "Ele encontrou em Kensington o jovem George Davies, que tinha 4 anos, e passeava com seus irmãos mais novos, Jack e Peter, e sua babá, Mary Hudson, e começou a conversar com eles."

Como um avô

 


Os três meninos eram então os únicos filhos do advogado Arthur Llewelyn Davies e sua mulher, Sylvia, filha de um escritor. Mais tarde, porém, o casal teria mais dois filhos, um deles chamado Peter - para alguns a maior fonte de inspiração para Peter Pan.

Barrie fez amizade com os Llewelyn Davies. "Para ele era quase como ser um avô. Ele podia aproveitar a convivência com a família Llewelyn Davies sem ter que assumir responsabilidade pelas crianças", diz Birkin.

Quando era jovem, o criador de Peter Pan perdeu o irmão mais velho em um acidente de patins, o que devastou sua família e teria contribuído para sua depressão.

"As pessoas podiam ter a impressão de que ele era um homem triste e sozinho, mas na minha opinião durante 80% do tempo era uma pessoa bem humorada e em apenas 20% era melancólico", contou Nicholas, um dos cinco irmãos Llewelyn Davies, em uma entrevista para a BBC em 1978.

Os meninos se referiam ao escritor como "tio Jim". Em 1907, o pai dos cinco meninos morreu de câncer, aos 44 anos, e, três anos depois, sua mãe também faleceu, deixando os garotos órfãos.

Barrie, que na época havia acabado de se separar da mulher, tornou-se uma espécie de "guardião informal" dos irmãos Llewelyn Davies, pagando boa parte dos custos de seus estudos.

"George, Michael e Nicholas gostavam muito de Barrie e lhe escreviam frequentemente. Michael chegou a escrever 2 mil cartas para ele", diz Birkin. "Já Peter tinha uma relação um pouco mais complicada com o escritor."

Fins trágicos

 

George morreu nas trincheiras da 1ª Guerra Mundial em 1915, com apenas 21 anos. Seis anos mais tarde, Michael morreu afogado em Oxford, aos 20 anos. Alguns dizem que ele teria se suicidado. Para Birkin, porém, tratou-se de um acidente.

Uma questão que tem sido levantada por alguns estudiosos hoje é se haveria algum "elemento sexual" no interesse do escritor pelos cinco meninos. Quem defende essa hipótese aponta algumas passagens do conto O Pequeno Pássaro Branco, escrito por Barrie em 1902, que fala sobre a relação de amizade entre um menino e um soldado aposentado e sem filhos.

Mas o biógrafo afirma que o escritor era apenas um homem "frustrado" por não ter tido o "privilégio" de ter filhos. Birkin diz não identificar qualquer "elemento sexual" nem nos seus textos nem em sua relação com os irmãos Llewelyn Davies.

Nicholas também acredita que o "tio Jim" era "um inocente" e diz nunca tê-lo visto manifestar qualquer interesse por temas sexuais. Barrie morreu em 1937, mas nunca se recuperou da morte de George e Michael. 

Na época, Peter Davies estava trabalhando como editor. Em 1960, porém, ele se matou se jogando na frente de um trem em movimento, em Londres.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

As Aventuras de Pi e suas controvérsias


Estamos em 2002, Brasil e Canadá travam uma intensa “guerra” comercial pelo mercado de aviões executivos. Do lado brasileiro, temos a Embraer; pelo Canadá, a Bombardier. No meio dessa disputa comercial, que nada tem a ver com a literatura, surge a acusação de que o vencedor do Booker Prize de 2002, prêmio mais importante da língua inglesa, seria fruto de um plágio. Ambos os fatos aparentemente não teriam nenhuma ligação se não fosse o fato de o vencedor do prêmio em questão ser um canadense e a suposta vítima de plágio um brasileiro. Estamos falando de Yann Martel e seu livro Life of Pi e Moacyr Scliar e seu livro Max e os Felinos.

Publicado em 1980, o livro do escritor gaúcho é composto por alguns contos. O principal deles narra a história de um menino fugitivo da Alemanha nazista que, durante sua fuga para o Brasil, sofre um naufrágio, refugiando-se em um bote junto com um jaguar. Na história, o jaguar é uma espécie de metáfora da ditadura militar, já que é um animal de convivência difícil, podendo ser violento a qualquer momento para saciar suas necessidades. Já o livro Life of Pi, que no Brasil ganhou o título de “As aventuras de Pi”, acredito dispensar maiores apresentações, já que recentemente foi adaptado para o cinema, ganhando inclusive vários prêmios, entre eles o Oscar de Melhor Diretor.

Em que pese a semelhança das histórias, no início Yann Martel negou conhecer o livro do escritor brasileiro. A imprensa canadense entrou na história e, “comprando” a versão do seu compatriota, chegou a afirmar na ocasião que a acusação de plágio não passava de uma espécie de “vingança” pelo fato de uma empresa canadense (Bombardier) disputar mercado com uma brasileira (Embraer). Posteriormente, porém, o escritor canadense assumiu que teria lido apenas uma resenha sobre o livro Max e os Felinos, escrita talvez por John Updike (novelista americano morto em 2009). Updike, contudo, declarou depois que jamais lera Max e os felinos e nem muito menos escreveu sobre o livro (até hoje tal resenha nunca foi descoberta).

No meio dessa confusão toda, o escritor brasileiro Moacyr Scliar reconheceu a semelhança entre os dois livros, mas afirmou que não se sentia inclinado a processar o canadense. Algum tempo depois, o mesmo agradeceu ao brasileiro no prefácio de As aventuras de Pi pela “faísca” inventiva, de forma que a história acabou por isso. Plágio ou não, só podemos afirmar que As aventuras de Pi jamais teria sido escrita sem que houvesse Max e os Felinos.